Um olhar, um sorriso...
Um troca de palavras e uma vontade de nos
conhecermos melhor levou-nos para perto um do outro!
Uma paixão que nasceu devagar, ao nosso
ritmo e ao ritmo da vida que levávamos! Uma empatia, uma complementaridade...
Corríamos para os braços um do outro,
contávamos o tempo e pedíamos ao tempo que nos levasse para perto e parasse
nesse momento.
Os sonhos eram nossos... Os medos eram
doutros...
Tudo tão puro, tão perfeito...
Fomos construindo os sonhos a dois, fomos
seguindo o caminho passo a passo, lado a lado...
O pedido de casamento... Mágico! Como tudo
em nós!
Os
nossos amigos, a nossa família e as nossas escolhas, todos presentes
nesse dia inesquecível!
Foi o dia mais feliz da minha vida!
“Junto a ti corro o risco de envelhecer mais
rápido!” – dizia-te!
“Porquê?”
“Porque contigo tudo é um sorriso e isso provoca
rugas” – (risos)
Passaram poucos anos e... Tudo mudou...
Olho para ti e já não sinto vontade de te
abraçar!
Já não há empatia nem companheirismo.
Já não conto o tempo em que estaremos
juntos!
Já não estou sempre a sorrir...
Estar contigo não é sinónimo de felicidade!
O silencio instalou-se em nós, gastámos as
palavras...
O teu cheiro já não provoca desejo em mim...
O teu corpo não passa de um corpo...
A tua mão já não me dá a sensação de
proteção!
Não sinto que te orgulhes de mim, nem eu me
orgulho de ti...
Prefiro estar a trabalhar até tarde do que
vir para casa e vestir a “capa da esposa perfeita”, que não é valorizada...
É com tristeza que encaro esta realidade...
Será que o amor nos deixou?
Fugiu de nós?
Prometemos estar sempre aqui um para o
outro...
Tenho saudades tuas... Nossas... Do que
fomos!
Ás vezes penso nas pessoas que me rodeiam,
naqueles que me valorizam e admiram, que dizem que sou bonita, interessante...
e sabes? às vezes tenho vontade de experimentar outra vez a sensação de ser
desejada por alguém...
Já pensei que estaria apaixonada por outra
pessoa... Mas depois, penso em ti... E volto atrás! Não consigo ir em frente...
Será por amor?
Ou será por medo de arriscar?
Estarei acomodada a esta relação?
O que fazer quando nos perdemos?
As relações têm tempo de validade?
Prometemos amar-nos para
sempre...
Existem
relações que duram demais?
O
que fazer quando se sente que o amor desapareceu e os estímulos externos nos
provocam vontade de ir?
É
importante percebermos o que aconteceu à relação. Uma relação exige um trabalho
de equipa e o seu sucesso ou fracasso é um reflexo desse trabalho a dois.
Quando
assumimos uma relação colocamos um pouco do nosso coração nas mãos do outro. Na
intimidade existe sempre vulnerabilidade. Criamos a expectativa de que a pessoa
nunca nos vais desiludir. Contudo, mais cedo ou mais tarde, aquela pessoa vai
falhar e magoar-nos. Não porque nos queira mal. Mas porque é humana. E os
humanos são imperfeitos!
Os
casais que procuram apoiar o outro, que se preocupam, que cuidam, acarinham e guardam
memórias agradáveis, conseguem ultrapassar mais facilmente estas mágoas. É como
se tivessem uma caixinha onde guardam os afetos que lhes permite continuar de
mãos dadas. Muitas vezes estes momentos unem-nos ainda mais pois sentem que querem
ficar juntos.
Mas
quando a relação não está segura, quando o respeito não é mútuo, quando a
caixinha dos afectos está vazia e os momentos a dois são predominantemente de stress
e desunião, sentimos que a pessoa que amamos não está presente quando
precisamos. Neste caso, cada falha é encarada como um obstáculo inultrapassável.
Cada decepção é um passo no caminho para a separação!
Existem
relações que duram tempo demais?
As
relações duram o tempo que têm que durar!
Umas
terminam, outras resgatam-se!
É
possível resgatar as relações!
-
Débora Água-Doce -






