Anita de 38 anos, tem um filho e
é divorciada. Aguentou um casamento de mais de 18 anos de violência física e
psicológica até ao dia em que decidiu que não iria continuar a viver assim!
Reergueu-se e voltou a
apaixonar-se, sem barreiras, sem limites… Até que aconteceu o inevitável, a relação terminou. Anita foi à falência
emocional e perdeu toda a sua autoestima… Embora só há mais de seis meses,
sente que o seu coração ainda está preenchido e não tem forças para se libertar
do grande amor que viveu e muito menos, forças para recomeçar mais uma vez.
Era ainda uma criança quando
decidiu casar, aos 19 anos…
“Casei quando ainda era uma criança. Não sabia nada da vida… Achava que
com o casamento iria ser tudo diferente!
Mas eu não tinha amor-próprio. Fui aguentando um casamento de maus
tratos, tanto físicos como psicológicos e tive um filho. Aguentava porque
acreditava que ele iria mudar, mas também porque não queria que o meu filho
crescesse sem pai, sem referências… Valeu-me as agressões físicas. Cheguei a
ser violada pelo meu próprio marido que dizia ter direito! Fui-me acomodando…
O que iria fazer sozinha? Até que um dia ganhei coragem e fui pedir o divórcio!
Eu não podia sair de casa, senão era abandono do lar e tivemos que ficar assim,
numa relação que não era nada, até um juiz lhe dar ordem de abandonar a casa!”.
Com o coração despedaçado, a autoestima
em baixo e um filho, Anita, agarrou-se ao trabalho e às amigas!
“Trabalhei muitas horas por dia, assim distraia a mente. Gostava de
estar com as minhas amigas… Tinha uma relação falhada, mas não foi difícil
ultrapassar. A relação era um tormento e foi um alívio quando me “libertei””.
Três anos depois do divórcio, Anita
conheceu Luis que também se tinha separado recentemente e estava tão carente
quanto ela.
“Voltei a apaixonar-me e foi tão bom! Nunca fui mulher de seguir a moda
no vestir, mas ele achava que eu estava sempre bem. Era maravilhoso! Não sou
magra, nem gorda mas tenho alguns complexos com o corpo e quando estive com ele
nem me lembrei disso…
Gradualmente fui deixando de sair com as minhas amigas porque era com
ele que me sentia completa! Saiamos às sextas, sábados e domingos. Andávamos sempre
juntos e eu cheguei a achar que seria assim para sempre, que tinha finalmente
ganho o direito de ser feliz. E eu fui feliz! Era tudo maravilhoso! Tinha
finalmente a atenção, carinho e dedicação que nunca tinha tido até ali… Era bom
demais para ser verdade”.
Após um ano de relacionamento, a
relação começou a mudar… Luis deixou de atender o telefone, sempre que a Anita
lhe ligava como habitualmente e começou a sair mais vezes com os amigos.
“É o tal sexto sentido das mulheres! Eu sentia que algo não estava bem…
Quando o confrontava, ele dizia que eram coisas da minha cabeça. Ele estava a
afastar-se. Saia com os amigos e aparecia às duas, três da manhã quando nunca o
tinha feito antes… Quando me cansei das suas ausências e do seu afastamento,
ele confessou que as coisas tinham mudado e que queria voltar para a
ex-mulher…”.
Quando acabou a relação, há cerca
de seis meses, Anita viu-se completamente perdida e abandonada!
“Foi horrível! Quando precisei de chorar, não tinha ninguém… Tinha-me
afastado de tudo e de todos e vivido só para ele. Chorei muito, sofri muito.
Acostumei-me a estar só com ele, a contar com ele para tudo e de repente fiquei
sem tapete! Tinha muita vergonha de assumir que estava completamente perdida. Faltava-me
o carinho, a cumplicidade… Eu tinha a certeza que gostava dele, que o amava e
sentia que ninguém me compreendia… Era como se me faltasse o ar, nada mais
interessava!
Tenho dias em que não há nada, não se passa nada e outros, que sinto um
aperto, uma dor e dou por mim a chorar…”
Quando acabou a primeira relação,
Anita foi a primeira pessoa a dizer que se sentiu aliviada, mas a sua segunda relação
tem sido muito difícil de ultrapassar…
“Sou uma mulher que ama demais, que se entrega demais e por isso tenho
medo de me voltar a entregar… Senti-me usada, gozada e traída. Tenho muito medo
que volte a acontecer… Tenho 38 anos e tenho medo de tudo e todos, não me sinto
disponível para voltar a amar… Acho que não sou suficientemente bonita… Sinto
que a minha mãe, uns bons anos mais velha do que eu tem melhor apresentação e está
menos acabada do que eu…
Tenho medo de tudo! Embora esteja sozinha de facto, sinto que o meu
coração não está sozinho e que ainda amo o meu ex-namorado.
Se ficar sozinha, não me importo, pelo menos sei que não vou voltar a
sentir o que sinto… Não vou ser palhaça! Acredito que dentro de algum tempo vou
deixar de acordar a meio da noite e vou deixar de chorar e vou conseguir
dormir.”
Anita sofreu de violência
domestica durante quase metade da sua vida!
A violência quando surge, muitas
vezes é considerada pela vitima como uma forma natural do companheiro
manifestar ou demonstrar o seu amor, acabando por considerar que são
comportamentos normais os ciúmes excessivos e as atitudes agressivas de
controlo e sentimentos de posse.
A vitima, apesar da angustia e
dor sentidas, interpreta as agressões como: “Se
tem ciúmes é porque gosta muito de mim”; “se me bate é porque eu mereço, devo ter feito algo errado”...
O amor não maltrata!
Quando há amor, há “cuidar do
outro”...
Não espere, tal como a Anita, 18
anos para conseguir sair dessa “prisão”!
É certo que esta relação também
não resultou, mas é certo que estamos no caminho pela sua autonomia e conquista
de amor incondicional – o seu, por si própria!
Eu acredito que a Anita voltará a
sorrir!
Eu acredito que conseguirá ser
feliz!





