12/07/13

“Será que afinal, não têm todos razão?”




Certo dia, numa pequena e longínqua vila Indiana, quatro respeitados sábios discutiam afincadamente sobre um importante tema, um qualquer daqueles temas profundos, tão comuns às discussões entre sábios. Estavam há horas mergulhados numa fervorosa discussão, ainda longe de se entenderem, quando os seus argumentos foram interrompidos por um desafio lançado por um espectador. Tratava-se de uma criança, que se fazia acompanhar por um elefante. Elefante esse, que mesmo para elefante, era dono de umas gigantescas proporções.
A criança lançou-lhes o repto de que adivinhassem a natureza da “coisa” que ela lhes apresentava. Ora acontece que estes quatro sábios eram todos cegos, logo, apenas poderiam utilizar o tacto para desvendar este enigma.
O primeiro sábio tocou numa perna do elefante e sentido uma coluna sólida e pesada, uma vez que por mais que a empurrasse ela não se movia, afirmou rapidamente que se tratava de uma grande e resistente coluna de pedra.
Por sua vez, o segundo sábio aproximou-se do colossal animal e ao apalpar-lhe as orelhas ondulantes, anunciou a todos com grande convicção que tinha descoberto o que era esta “coisa”, e o que esta coisa era, não era nem mais nem menos do que um lençol.
O terceiro sábio, depois de ouvir os outros afirmarem realidades tão diferentes, tinha a certeza que ambos estavam errados e seria ele a acertar na resposta. Assim, ao sentir as presas pontiagudas do animal, estava convicto ao declarar que o que a criança tinha ali, era uma arma de guerra, um verdadeiro aríete.
Finalmente, o quarto homem sábio, decidido a por ordem naquilo que achava ser uma sequência de disparates, avançou decidido para o elefante. Por sorte ou azar, foi direito à parte traseira do animal, mais propriamente à sua cauda. Nas mãos do sábio ela parecia uma sinuosa e áspera corda, e como tal, garantiu com toda a certeza a quem o quisesse ouvir, que aquela “coisa” se tratava efectivamente de uma corda.

Depois de todas as opiniões dadas, argumentos expostos e explicações feitas, a criança deixou os sábios levando consigo o seu elefante. Antes de partir, deixou-os com a seguinte questão: “Será que afinal, não têm todos razão?”

Pois é, se olharmos para um problema de uma só perspectiva e nos agarrarmos a ela como uma verdade absoluta, ignoramos outras possíveis perspectivas e perdemos a ideia global do problema, não nos sendo possível entendê-lo no seu todo.

Olhe para as situações de várias perspectivas!


Débora Água-Doce



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05/07/13

Casa comigo novamente… Desta vez vamos ser felizes!




Já ouviu a expressão: “voltar para um velho amor é como ler um livro pela segunda vez, já sabe como vai terminar”?

Emocionalmente tendemos a acreditar que esta expressão é completamente falsa, que há sempre outra oportunidade quando há amor e que nunca é tarde para recomeçar. A realidade, porém, muitas vezes, mostra-nos o lado inverso do nosso ideal romântico de relação.
Viver uma relação baseada apenas no amor não é sinónimo de felicidade. É claro que o mais importante é o amor, mas ele, sozinho, não alimenta uma relação. É preciso muito mais do que isso. Partilha, respeito, companheirismo, objetivos de vida em comum, diversão, intimidade física, são apenas algumas das diversas características básicas que alimentam uma relação.

Quando um casal se separa, frequentemente não é por falta de amor, mas sim porque algumas das características básicas não estavam fortes o suficiente, o que impossibilita a continuidade duma relação equilibrada e feliz.

Após a separação, enfrentam-se muitas dificuldades… A carência, a saudade da rotina vivida na relação, as noites que parecem não terminar, os dias em que não se sabe o que fazer… Acreditamos que estaríamos melhor com aquela pessoa que tanto significou para nós.
Mas porque reagimos assim?
Porque sentimos que toda a imperfeição anterior se pode transformar na perfeição presentemente?
Porque é mais fácil aceder a algo já conhecido do que permitir a entrada do desconhecido. Assusta-nos ter consciência da ausência do conforto de uma relação que fez parte da nossa vida por tanto tempo. Recomeçar é difícil… O vazio preenche-nos!

E no seio do luto da relação, eis que surge uma reaproximação da pessoa e com ela, uma esperança que alivia o sofrimento. Como a mente mente, e a verdade não advém apenas da razão, acreditamos que desta vez vai ser diferente, que tudo vai ser melhor. Que a pessoa mudou! Retrocedemos…
Quando existe um recomeço, ao início tudo é mágico! Lembra-se da fase da paixão e do enamoramento? É semelhante!
Contudo, a rotina volta, a paixão diminui e muito provavelmente sente que nada mudou…
O luto de uma relação é longo e doloroso… É preciso tempo para a recuperação! Faz parte do processo de “renascimento”.
A carência leva a confundir emoções o que gera a vontade de reconciliação. Não se esqueça que a carência faz parte do processo de luto, é necessário aceder à tristeza para conseguir “voar sozinho”.
Não quero com isto dizer que não existem finais felizes com o(a) ex-companheiro(a), existem!!! Contudo, também existem os finais não felizes e é preciso ter consciência dessa possibilidade!

A felicidade encontra-se dentro de nós e não no outro! O maior Amor que pode sentir, é o amor por si próprio.

Questione-se do porquê de permitir novamente que alguém que o magoou volte a entrar na sua vida…
E dê uma oportunidade a si próprio de ser feliz!
Ame-se!



Débora Água-Doce
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27/06/13

Como se mede o Amor?





Quantas vezes já disse ou ouviu a expressão "eu amo-te mais" ou "tu não me amas tanto quanto eu"?
Quantas vezes não falou, com alguém sobre este tema?
Acha possível medir o Amor?
Existe alguma forma de medir este sentimento?
Mede-se como?
Pelos gestos... Atitudes...
Olhares...
Palavras...
Existe algum padrão de comportamento para as pessoas que amam?

Vamos imaginar que num casal, um deles é muito romântico e valoriza o romantismo, mas outro é o oposto e não liga nenhuma ao romantismo. Quer dizer que o romântico ama mais?
Faz-lhe sentido concluir isto?
É natural que o romântico fique triste, pois gostava de "receber o que dá", mas isso determina o amor?
As pessoas são todas diferentes! Essas diferenças fazem com que tenham formas também diferentes de expressar as emoções. O que não significa que o sentimento seja menor, é apenas expressado de forma diferente.

Quando se está numa relação e se sente um desequilíbrio, talvez seja importante "olhar de fora". Muitas vezes o sentimento está lá, contudo, a expectativa criada à volta do que é o Amor,  leva à frustração e ao sentimento de vazio. É como se procurasse algo inexistente...
É importante ter consciência das diferenças que perfazem um casal. É importante reconhecer as suas necessidades e as do seu parceiro. Aceitando as diferenças e procurando em conjunto, um partilha e ajustamento que leve ao equilíbrio.
Não temos que mudar ninguém, mas podemos ajustar-nos, sem fugir à nossa personalidade, contribuindo para uma melhor relação.

O Amor mede-se?
O Amor constrói-se!

"Não se pode medir a quantidade de amor! 
Não há muito ou pouco amor... Há Amor!"


Débora Água-Doce
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21/06/13

Sorte ou Paixão?




Muitas vezes ouço a expressão “tiveste sorte” ou “fulano x teve sorte”. Mas será que é sorte?
Será que nenhuma dessas pessoas lutou para atingir o seu sonho?
Hoje trago-vos uma história que poderá ser interpretada como sorte, como persistência, ou como as duas, depende da sua leitura…
É uma história real!

Tive sorte? Muitos dirão que sim… Muitos dizem-me que sim. Mas eu acredito que não foi sorte! Acredito na persistência, na capacidade de ir atras e nunca desistir dos nossos sonhos.
Fiz toda a faculdade como trabalhadora-estudante, de outra forma não teria tido oportunidade de a frequentar… Lembro-me dos dias difíceis, dos dias em que estava muito cansada e só me apetecia ir dormir mas tinha que estudar, lembro-me dos dias em que os meus colegas saíam e eu ía trabalhar… Lembro-me dos dias em que o cansaço me vencia e só me apetecia desistir, mas… O sonho era superior ao cansaço, muito superior! Conclui o curso! Sem desistências!
Findo este processo, chegou o momento do estágio… Todos à minha volta me diziam que era quase impossível conseguir trabalho como Psicóloga, “não tens cunhas nessa área, diziam-me”…
Enviei durante quase 2 anos currículos diariamente e nada… Cheguei por momentos a acreditar que era impossível! Um dia, decidi arriscar tudo! O meu emprego foi durante 3 meses procurar trabalho!!! Começava de manhã e terminava à hora de ir dormir, fazia horas extra ;)
Foram os 3 meses mais sufocantes da minha vida, nunca tinha estado sem trabalhar… Enviava uma média de 50 CV’s diários… Que loucura! Fazer cartas de apresentação adequadas a cada clínica, a cada instituição, a cada empresa… O desespero!
Um dia, início de Setembro, quando a esperança já teimava em fugir, recebi um telefonema a marcar uma entrevista para o dia seguinte. Será possível? Pensei.
No dia seguinte lá fui, com a esperança no olhar. A conversa corria muito bem, até me ser perguntado o porquê de eu querer tanto uma oportunidade e nesse momento eu dar por mim a deixar as lágrimas cair… A emoção de sentir uma oportunidade perto de mim era tão grande que não consegui evitar… “estou tramada”, senti. Saí de lá com a sensação de que tinha perdido uma oportunidade até porque se despediram de mim dizendo: “então pronto, se já não ligarmos, boa sorte para o futuro”!
No dia seguinte de manhã, fui acordada com um telefonema, era o Sr. que me tinha entrevistado a dizer que começava na 2ª feira… Não sei o que senti… No momento nem acreditei… Senti que a estrelinha estava lá para mim!
Foram 3 meses de procura de trabalho que mudaram a minha vida!!!
Na semana a seguir lá estava eu a dar os primeiros passos na carreira que tinha sonhado para mim. Era mágico! Lembro-me de como me empenhava… As noites que passava a fazer relatórios, a ler, a estudar… Eu queria mesmo ser merecedora daquela oportunidade!
Passados uns dias, recebi outro telefonema, de um Psicólogo que não podia dar-me emprego mas gostava muito de me poder ajudar de alguma forma. Lá fui ter com ele e tornou-se meu supervisor, só porque acreditava em mim.
E assim fui aprendendo e descobrindo a arte da capacidade de Sonhar!
Tive sorte? Tive, mas conquistei-a!
Não acredito muito na sorte! Acredito na persistência. Na capacidade de irmos atras dos sonhos, na resiliência! Acredito na capacidade de ultrapassarmos os obstáculos que se cruzam no nosso caminho. Na capacidade de ouvir um “não” e continuar à procura de um ”sim”. Acredito no mérito! Acredito na Paixão! Sinto que só se pode ser realmente bom a fazer o que quer que seja, se realmente colocarmos paixão naquilo que fazemos.
Não acredito que a nossa sorte está dependente dos outros! A sorte está em nós!!! A sorte está em lutar por aquilo que queremos.
Sei que muitas vezes é difícil e só apetece desistir, mas é importante não baixar os braços! É importante continuar a viagem!
Não desista dos seus sonhos e coloque paixão em tudo o que fizer… A Sorte vai aparecer!


Débora Água-Doce
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13/06/13

Ciúme… Vivo por ti!




A Maria chegou até mim preenchida por um sentimento de sufoco “são ciúmes”…”não consigo controlar os ciúmes”…”sou muito obsessiva”(sic).
Contou-me que examina o telemóvel do namorado de uma ponta a outra, confirma tudo o que consegue. Não suporta que trabalhe com mulheres… Desconfia sempre que ele está interessado noutra pessoa. Não suporta quando ele se atrasa um pouco no telefonema do almoço, quando acontece esse atraso, Maria, automaticamente fantasia que ele estará com outra mulher.
Quando ele sai mais tarde do trabalho, Maria já imaginou vários cenários e quando ele chega, já não está feliz à sua espera… Surge uma discussão… O tempo que deviam aproveitar para estar juntos a partilhar, é usado para se magoarem e afastarem.
A Maria tem noção, que os seus pensamentos são apenas pensamentos, não são reais, contudo, não consegue evitá-los e inevitavelmente sofre… E como sofre… É uma dor insuportável… Vivencia tudo como se fosse real!
A Maria, fala-me dos seus medos como se fossem reais, como se estivessem a acontecer…
Vive focada no namorado e na relação! Esquecendo-se de si…
Há dias confessou-me que já nem se cuida como antes, deixou de conseguir olhar para o espelho e sentir-se bonita!
“Preciso curar-me deste ciúme, desta insegurança!”(sic).

Existem vários tipos de ciúmes, no entanto, os mais comuns são aqueles vivenciados numa relação a dois, tal como a relação da Maria.
Já todos, em algum momento da nossa vida sentimos ciúme! O ciúme é um sentimento inerente ao ser humano e, embora seja quase sempre conotado negativamente, existem formas positivas de lidar com ele e muitas vezes é saudável para a relação.
Mas e quando o ciúme é como o da Maria?
Quando é vivenciado assim, pode não só destruir a relação do casal, como afetar negativamente qualquer pessoa, não só aquela que é incapaz de controlar o ciúme, como aquela que é alvo do mesmo. O ciúme está frequentemente associado a comportamentos paranóicos, de desconfiança e obsessivos, em que um elemento do casal tenta controlar o outro ao máximo, limitando o que faz, com quem se relaciona…
É necessário ter consciência de que este tipo de ciúme não é saudável, nem para si, nem para a relação.
Já pensou que os ciúmes que sente, por exemplo, quando o seu namorado fala de uma certa colega de trabalho ou quando vai tomar café com aquela amiga podem ser um indicador de que falta algo na vossa própria relação?
Gostava que ele a convidasse de vez em quando apenas para um café? Gostava que ele partilhasse consigo o mesmo tipo de conversas que partilha com os amigos?
Se sim, transforme os ciúmes em dedicação e viva mais a sua relação, fale das suas necessidades ao seu namorado e peça-lhe que ele faça o mesmo.
Os ciúmes não só criam sentimentos de frustração, raiva e insegurança na relação, como potenciam a baixa auto-estima.
Não permita que o ciúme promova sentimentos negativos sobre si própria. Mude aquilo que quer mudar em si, mas faça-o por si e não por ele!
Cuide mais de si!
Substitua o “vivo por ti!” por “vivo por mim!”!!!

Débora Água-Doce


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10/06/13

Os Homens também choram!




Ainda em pequena reparei, que o meu pai chorava! Vi-o muitas vezes emocionado com qualquer programa televisivo que pudesse tocar no coração…
Aos olhos de uma criança, o pai é uma figura inabalável, contudo, para mim sempre ficou claro que também é uma figura sensível. A sua expressão séria era substituída pela expressão da emoção que vivenciava naquele momento e… Como era mágico ver a máscara cair… Os homens também choram. Desde cedo aprendi essa lição.

Para mim, o choro não é sinónimo de fraqueza. Muito pelo contrário. É sinónimo de humanidade, sensibilidade e afeto.
Desmistifiquemos a ideia de que apenas as mulheres choram e são sentimentais. Os homens não são assim tão diferentes das mulheres. Também eles sofrem de dores emocionais, são ciumentos, precisam de colo…
O homem é um ser inteiro, com vícios e virtudes, forças e fraquezas, sucessos e fracassos, emoções e convicções. É um ser sociável, humano, ético. É um ser com um passado e um presente.
Ser Homem é ser uma parte que completa outra!


Débora Água-Doce
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30/05/13

Eu ou o que esperam de mim?


“Ao longo dos anos que namorei e estive casada com o Luis (nome fictício), tentei perceber qual o tipo de mulher que ele gostaria. Se loura, se morena, se burra, se inteligente… Sempre achei que eu não era quem ele amava…
A maior parte do tempo pensei que não estava à altura dele, desvalorizava-me, era insegura, tinha medo, principalmente medo de que me abandonasse.
Assim desta forma, dei o melhor de mim, fui a melhor esposa que consegui, sempre prendada, boa dona de casa, tentei estar sempre cuidada e bonita, embora pensasse que nem isso me valia de nada, como não valeu.
Esta semana recordei os meus tempos de adolescente, de como me sentia o patinho feio… Usava óculos, não vestia roupas de marca como os betinhos que se juntavam no recreio no sítio do costume. Nesse grupo também estava o Luis, mas longe de eu pensar que um dia seria sua mulher. Nessa altura, observava as raparigas desse grupo e pensava em como gostava de ser assim, como gostava de pertencer ao grupo dos melhores, dos maiores, dos giros e dos bem vestidos.
Passados todos estes anos e após alguns reencontros, constatei que os betinhos e betinhas hoje são gordos e gordas, carecas, velhos e alguns deles com vidas completamente destroçadas.
O patinho feio, afinal é uma linda mulher, com uma vida pacata é certo, com desilusões é um fato, infeliz por um lado (desemprego e divórcio) mas feliz por ter uma linda família, uma casa e um filho saudável e maravilhoso…
Contudo, todos os dias habitam em mim questões para as quais ainda não encontrei respostas:
- Porque não fui feliz no casamento?
- O que tenho eu de errado? Ou serão eles?
- É assim tão difícil ser feliz?
- É assim tão difícil amar e ser amada?
Estou exausta…”

Este é o desabafo que a Luísa (nome fictício) faz para o papel e decide partilhar comigo…
Eu e a Luísa estamos nesta viagem há aproximadamente um ano. Recordo-me de ter chegado até mim completamente destroçada e com a auto-estima destruída. Nessa altura apenas a desilusão da separação era tema de consulta… Muitas vezes nem existia assunto, a dor era insuportável e apenas chorava…
Como se não bastasse, enfrentou outra perda, o desemprego. A empresa onde trabalhava não dispunha de verbas para a manter em colaboração.
- “Não consigo Débora!” Assim me revelava o seu desespero.
Posto isto, e após muita incidência nestes lutos, surgiu o caminho que levaria ao “eu pelos meus olhos” e não ao “eu pelos olhos dos outros”.

Devagarinho fomos tocando na auto-estima e criando a autonomia necessária para viver sem o marido. Sentia-se incapacitada para fazer imensas coisas, recordo-me da sua felicidade por exemplo, quando simplesmente conseguiu comprar um Smartphone sozinha e da sua surpresa por perceber que conseguia aprender a utilizá-lo sem ajuda!

O descobrir “quem sou eu”, “o que realmente gosto”, “o que me realiza” em vez de “como me vêem”, “o que devo fazer”, ”o que esperam de mim” levou-nos à consciência de que o patinho feio, afinal, de feio não tem nada, muito pelo contrário.

É certo que ainda existe um caminho a percorrer até ao nosso destino, existem questões que ainda não dão descanso à Luisa, contudo, é certo também que o ponto de partida há muito que ficou para trás.
Tal como a Luisa viveu quase 40 anos da sua vida a desejar ser como os outros, a tentar ser perfeita, a tentar ser o que achava que os outros esperavam de si, deixando a sua identidade esquecida, também muitas outras “Luisas” o fizeram e ainda fazem.
Muitas outras “Luisas” vivem na esperança do que será o amanhã, o amanhã em que se sentirão amadas, ao mesmo tempo que deixam o presente passar… Não o vivem. Perdendo a oportunidade de serem felizes hoje!
Perdendo a oportunidade de procurar dentro delas a felicidade, enquanto a procuram constantemente no exterior!
A todas as “Luisas” sugiro que não sejam tão duras consigo próprias! Sugiro que se permitam olhar para “dentro”, aceitando-se!
Só aceitando é possível amar.

Como complemento a esta crónica sugiro a leitura das cronicas Apaixone-se por si! Parte I e II



Débora Água-Doce   
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