Certo dia, numa pequena e longínqua vila Indiana,
quatro respeitados sábios discutiam afincadamente sobre um importante tema, um
qualquer daqueles temas profundos, tão comuns às discussões entre sábios.
Estavam há horas mergulhados numa fervorosa discussão, ainda longe de se
entenderem, quando os seus argumentos foram interrompidos por um desafio
lançado por um espectador. Tratava-se de uma criança, que se fazia acompanhar
por um elefante. Elefante esse, que mesmo para elefante, era dono de umas
gigantescas proporções.
A criança lançou-lhes o repto de que adivinhassem a
natureza da “coisa” que ela lhes apresentava. Ora acontece que estes quatro
sábios eram todos cegos, logo, apenas poderiam utilizar o tacto para desvendar
este enigma.
O primeiro sábio tocou numa perna do elefante e sentido uma coluna
sólida e pesada, uma vez que por mais que a empurrasse ela não se movia,
afirmou rapidamente que se tratava de uma grande e resistente coluna de pedra.
Por sua vez, o segundo sábio aproximou-se do colossal animal e ao
apalpar-lhe as orelhas ondulantes, anunciou a todos com grande convicção que
tinha descoberto o que era esta “coisa”, e o que esta coisa era, não era nem
mais nem menos do que um lençol.
O terceiro sábio, depois de ouvir os outros afirmarem realidades tão diferentes, tinha a certeza que ambos estavam errados e seria ele a acertar na resposta. Assim, ao sentir as presas pontiagudas do animal, estava convicto ao declarar que o que a criança tinha ali, era uma arma de guerra, um verdadeiro aríete.
O terceiro sábio, depois de ouvir os outros afirmarem realidades tão diferentes, tinha a certeza que ambos estavam errados e seria ele a acertar na resposta. Assim, ao sentir as presas pontiagudas do animal, estava convicto ao declarar que o que a criança tinha ali, era uma arma de guerra, um verdadeiro aríete.
Finalmente, o quarto homem sábio, decidido a por ordem naquilo que
achava ser uma sequência de disparates, avançou decidido para o elefante. Por
sorte ou azar, foi direito à parte traseira do animal, mais propriamente à sua
cauda. Nas mãos do sábio ela parecia uma sinuosa e áspera corda, e como tal,
garantiu com toda a certeza a quem o quisesse ouvir, que aquela “coisa” se
tratava efectivamente de uma corda.
Depois de todas as opiniões dadas, argumentos expostos e explicações
feitas, a criança deixou os sábios levando consigo o seu elefante. Antes de
partir, deixou-os com a seguinte questão: “Será que afinal, não têm todos
razão?”
Pois é, se olharmos para um problema de uma só perspectiva e nos
agarrarmos a ela como uma verdade absoluta, ignoramos outras possíveis
perspectivas e perdemos a ideia global do problema, não nos sendo possível
entendê-lo no seu todo.
Olhe para as situações de várias perspectivas!
Débora Água-Doce






