09/01/19

Enfrente a vida com Amor




Já pensou na bênção que é acordar de manhã e poder viver mais um dia? Já pensou na sorte que tem de poder sair de casa e sentir a Natureza e a vida à sua volta?
Se eu lhe disser que tudo o que precisa para viver está em si e na Natureza que este Mundo nos oferece, acredita?

Hoje pensei em escrever-lhe sobre Amor de outra forma, decidi trazer um pouco de consciência ambiental e relacional a este espaço. Já o fiz noutros momentos, mas hoje, sinto uma vontade maior de deixar as palavras refletirem o que o Homem tem vindo a fazer ao Mundo com a falta de Amor que tem cultivado em si.

Alguns de vocês, sabem a minha origem, sabem que cresci e vivi sempre (até aos 23 anos) no campo, no lindo Alentejo. 
Cresci numa família humilde, onde se trabalhava para “por pão na mesa”, onde não se faziam férias e onde se esperava um ano para se ter uns sapatos novos.
Cresci rodeada de animais [daí o meu Amor e Respeito por eles], animais de companhia mas também animais para nos alimentarmos. No meu monte tínhamos galinhas, de onde vinham os ovos que nos alimentavam. Quando elas não punham ovos, às vezes não os tínhamos e não havia problema... Essas galinhas eram cuidadas com carinho apesar de terem um fim à vista. Talvez a minha avó escolhesse uma de 3 em 3 meses para fazer uma canjinha e outros pratos mais ricos.
Criávamos um porco todos os anos, em conjunto com família [e isto era o que me fazia mais confusão...] e não se comprava mais carne além da que nos calhava.
Tive uma galinha de estimação que foi a minha companhia durante muito tempo, ouço contar que comia as migalhas que ficavam no parque e até andava comigo de baloiço...
Naquele tempo, tínhamos uma horta e nem imaginam o bem que me sabia ir apanhar morangos e come-los ali, naquele momento. Tínhamos uma Árvore de maçãs e outra de peras, tínhamos laranjas, figos, ameixas, nêsperas e uvas.
Eram sempre semeados os legumes da época e assim tínhamos sempre o que precisávamos.
Ahhhhh o leite naquele tempo vinha de umas vacas que uma vizinha criava.
Tenho saudades do cheirinho do café de cafeteira que a avó fazia para o lanche e que me deixava provar, mas só um bocadinho pois “eu era pequenina”. 
Recordo-me do conforto do campo, das flores na primavera que eu adorava apanhar. Lembro-me das conversas com a Lua, onde não se ouviam carros e se viam tão bem as estrelas...
Os anos foram passando, as pessoas foram partindo e outras mudando...
Os meus pais ainda lá vivem, mas de outra forma... Já não existem animais além dos de estimação. Não existem frutos além das uvas e dos figos... 
“Oh filha isso dá muito trabalho e a gente não tem tempo com os nossos horários”, é o que me respondem quando refiro que podiam fazer lá mais alguma coisa.



E a verdade é que a vida muda, a sociedade evolui e nós acompanhamos essa evolução pensado que é esse o caminho.
Ouvi tantas estórias de tempos em que não se tinha eletricidade e onde um carapau era divido por uma família de 4...
Tempos difíceis, eu sei, mas tempos mais responsáveis e conscientes do esforço para ter as necessidades básicas satisfeitas.
Onde está a alimentação consciente neste momento? Uma galinha de 3 em 3 meses??? Pois... caiu-se no exagero e o Amor foi substituído pela ganância. Hoje em dia os animais são criados em ambientes inacreditáveis de tão maus e em tempo record. A quantidade tem mais valor do que a qualidade...
Dá dinheiro? Então vamos fazer... E assim estão os oceanos cheios de plástico e os animais repletos de hormonas e produtos que os fazem crescer a uma velocidade relâmpago e que destroem a saúde de quem os consome.
Não vou abordar o tema do vegetarianismo, mas apenas queria que pensassem se tem sido o Amor a mover as industrias ou o poder?
Não temos como mudar o Mundo, nem o podemos fazer, mas temos, como escolher viver a nossa vida. E esta escolha tem de ser consciente. Esta escolha deve ter como base o Amor!!!

Quando acordar amanhã, pense no que quer para esse dia. Agradeça o que tem e foque-se no que o move. Não perca tempo a lamentar-se porque não tem o carro x ou o telemóvel y, porque a roupa não é a mais bonita ou porque tem de limpar a casa.
Aprecie o que tem e cuide de si e das suas coisas com Amor.
Cultive o Amor próprio e coloque compaixão nos seus atos.
Tome decisões com consciência do impacto que terá na sua vida e no Mundo. Sabe, o seu Mundo de hoje está em mudança e poderá não estar cá para a ver chegar, mas os seus netos ou bisnetos, certamente viverão com a consequência das nossas escolhas.

Amor é Ser, Amor não é Ter!


Com Amor,
Débora Água-Doce
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