19/05/19

Existem finais felizes




Hoje venho escrever-vos sobre aquele sentimento que me move, quem me lê, já sabe do que falo. Falo-vos do sentimento mais puro e intenso que existe: o Amor!

Quando era pequena, sonhava com o dia em que me vestiria de princesa, com o dia em que celebraria o Amor, o dia do meu casamento [e ainda não casei]. Passava horas intermináveis a brincar com bonecas. Casava as minhas barbies, todas tinham direito a um amor para a vida toda [nas minhas brincadeiras de criança não existiam divórcios] e foi assim que fui crescendo, acreditando que o Amor existe e que é a coisa mais importante da vida.
Hoje, adulta, continuo a acreditar num Amor para a vida toda [não de sempre, mas para sempre].
Faço do Amor a base da minha vida, é com ele que inspiro e potencio a capacidade de mudar a quem me procura no sofá terapêutico, é sobre o Amor que escrevo e é ele, o meu guia neste caminho que é a vida.

Ouve-se dizer por aí que as pessoas não mudam. Que “pau que nasce torto, nunca se endireita” e eu costumo responder a quem me diz isso que, se assim fosse, fechava a porta do consultório.
Acredito na mudança! As pessoas mudam! E o Amor muda as pessoas!!! Sim, tenho a certeza, o Amor cura, o Amor tem a capacidade de mudar o mundo. 
Mas... Tu não tens a capacidade de mudar ninguém! Nunca penses que conseguirás mudar alguém, não conseguirás. Esse processo de mudança ocorre apenas e só, se a pessoa assim o quiser e se sentir: AMOR!

Já vi muitas pessoas a mudar à minha frente, ao seu ritmo. Pessoas que erraram muito, pessoas que andaram perdidas, pessoas que sentiram amor [por elas e por mais alguém] e quiserem ser diferentes. Quiseram ser fieis, quiseram ser felizes sem “reticências” nem “mas”, pessoas que sentiram o que é verdadeiramente o Amor!

Escrevo-vos isto hoje, porque quero que acreditem no Amor. Ele existe! Não percam a crença de que existem finais felizes.
Não desistam à primeira, nem à segunda, nem à terceira. As relações constroem-se e o Amor também.
Não é por sentires uma química incontrolável por aquela pessoa que vai transformar-se em Amor. O Amor acontece quando desistes de procurar essa “loucura” dia a dia, quando aceitas a imperfeição da tua relação, quando percebes que podes errar, que podes perdoar. Quando sentes que dá um trabalho imenso mas que vale cada segundo de esforço. 

Quando descobres que aquele abraço é a tua casa, descobres o que é o Amor.

Hoje e sempre, Ama e permite-te a ser Amado.


Com amor,
Débora Água-Doce
Psicóloga Clínica
Fundadora da Clínica da AutoEstima

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11/03/19

A Clínica da AutoEstima



"Ainda me lembro dos amigos que não tive quando precisei deles para brincar.
Ainda me lembro de ir para a escola a chorar por não ter com quem falar.
Ainda me lembro de não querer acordar e o mundo de novo encarar.
Ainda me lembro de não ter uma amiga para partilhar."

Menina depreciada por ser diferente...
Menina depreciada por ser magrinha
Menina depreciada por não se vestir bem
Menina depreciada por não ser inspiração de ninguém.

- Não tens direito a ter amigos.
- És feia!
- És burra!
- És pobre!
- Ela é melhor que tu!
- Elas são melhores que tu!
- Tu não tens valor!
- Tu não consegues!
Diziam-me...

Namorado?
Mas quem é que te quer?
Já te viste ao espelho?

Assim cresceu a menina gozada,
Acreditando que não tinha valor, mas lutanto...

Menina gozada cresceu...
Menina gozada, estudou!
Menina gozada, transformou-se!
Menina gozada, lutou!
Menina gozada, provou... Tenho valor!!!

Hoje é inspiração para meninas gozadas!
Hoje ajuda lagartas a tansformarem-se em borboletas!
Hoje ajuda borboletas a voar!
Hoje não é gozada!
E não precisa gozar com outras para ser respeitada!”


Na minha infância não tive amigos... Vivi num monte, no Alentejo e não tinha ninguém além de um primo para brincar. A entrada na escola primária trazia a expectativa de ter muitos meninos para brincar, contudo, não foi isso que aconteceu.
O meu sonho depressa se desvaneceu ao perceber que não “gostavam” de mim. Era “pobre, magra e feia”, diziam-me, então, não tinha direito a brincar com eles.
Vivi isto em silencio... Não pensei que fosse importante contar aos meus pais.
Fui para o 5º ano pensando que alguma coisa mudaria, mas com a crença instalada de que não era suficientemente boa.
A crença continuou a confirmar-se, vivi uma adolescência triste, sendo a sombra das amigas giras, sempre a depreciar a pessoa que eu era. Aceitei a situação... Refugiava-me na escrita e no desenho, eram a minha terapia e nem eu sabia a importância que isso teria.


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09/01/19

Enfrente a vida com Amor




Já pensou na bênção que é acordar de manhã e poder viver mais um dia? Já pensou na sorte que tem de poder sair de casa e sentir a Natureza e a vida à sua volta?
Se eu lhe disser que tudo o que precisa para viver está em si e na Natureza que este Mundo nos oferece, acredita?

Hoje pensei em escrever-lhe sobre Amor de outra forma, decidi trazer um pouco de consciência ambiental e relacional a este espaço. Já o fiz noutros momentos, mas hoje, sinto uma vontade maior de deixar as palavras refletirem o que o Homem tem vindo a fazer ao Mundo com a falta de Amor que tem cultivado em si.

Alguns de vocês, sabem a minha origem, sabem que cresci e vivi sempre (até aos 23 anos) no campo, no lindo Alentejo. 
Cresci numa família humilde, onde se trabalhava para “por pão na mesa”, onde não se faziam férias e onde se esperava um ano para se ter uns sapatos novos.
Cresci rodeada de animais [daí o meu Amor e Respeito por eles], animais de companhia mas também animais para nos alimentarmos. No meu monte tínhamos galinhas, de onde vinham os ovos que nos alimentavam. Quando elas não punham ovos, às vezes não os tínhamos e não havia problema... Essas galinhas eram cuidadas com carinho apesar de terem um fim à vista. Talvez a minha avó escolhesse uma de 3 em 3 meses para fazer uma canjinha e outros pratos mais ricos.
Criávamos um porco todos os anos, em conjunto com família [e isto era o que me fazia mais confusão...] e não se comprava mais carne além da que nos calhava.
Tive uma galinha de estimação que foi a minha companhia durante muito tempo, ouço contar que comia as migalhas que ficavam no parque e até andava comigo de baloiço...
Naquele tempo, tínhamos uma horta e nem imaginam o bem que me sabia ir apanhar morangos e come-los ali, naquele momento. Tínhamos uma Árvore de maçãs e outra de peras, tínhamos laranjas, figos, ameixas, nêsperas e uvas.
Eram sempre semeados os legumes da época e assim tínhamos sempre o que precisávamos.
Ahhhhh o leite naquele tempo vinha de umas vacas que uma vizinha criava.
Tenho saudades do cheirinho do café de cafeteira que a avó fazia para o lanche e que me deixava provar, mas só um bocadinho pois “eu era pequenina”. 
Recordo-me do conforto do campo, das flores na primavera que eu adorava apanhar. Lembro-me das conversas com a Lua, onde não se ouviam carros e se viam tão bem as estrelas...
Os anos foram passando, as pessoas foram partindo e outras mudando...
Os meus pais ainda lá vivem, mas de outra forma... Já não existem animais além dos de estimação. Não existem frutos além das uvas e dos figos... 
“Oh filha isso dá muito trabalho e a gente não tem tempo com os nossos horários”, é o que me respondem quando refiro que podiam fazer lá mais alguma coisa.

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07/01/19

Não tem de mudar a sua vida




“Ano novo, vida nova”, ouve-se a cada esquina nestes primeiros dias do ano. Parece que temos de entrar na corrente ou corremos o risco de não ser integrados neste mundo de aparências e “clones” [onde está a individualidade nos dias de hoje?].

Não me parece que esse seja o caminho da felicidade que todos procuramos. Não sei se deve efetivamente procurar a mudança neste novo inicio de ano, mas sei que a verdadeira mudança e a verdadeira felicidade nascem da aceitação. Da aceitação de quem somos num todo. Isto é, aceitação do nosso corpo, de quem somos e da situação em que nos encontramos. Muitas vezes, as inseguranças com que nos debatemos diariamente existem porque achamos que as coisas deviam ser diferentes do que são.

Atualmente a sociedade exige-nos constantemente que mudemos as nossas vidas. É-nos incutida a necessidade de progredir, de fazer melhor, de parecer melhor, de nos sentirmos melhor. Temos que emagrecer, tonificar... Comer de forma mais saudável (agora é moda dietas saudáveis novas todos os dias), ter um emprego melhor, a melhor roupa do mercado e o corte de cabelo da moda, ganhar mais dinheiro (sem dinheiro não podes ter isto e aquilo e assim não és feliz)... Alguma vez lhe disseram que já é ótimo da forma como é?
Existe uma grande diferença entre querer genuinamente mudar alguma coisa na nossa vida e sentir que temos de mudar, porque temos de ser diferentes do que somos para sermos aceites ou nos integrarmos.

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