24/09/19

Um Adeus com Amor



Pensei muito antes de escrever este texto, senti muitas emoções e algumas lágrimas caíram, não vos escondo isso.
Apesar do aperto que sinta cá dentro, sei  que é uma mudança necessária. Um ponto final numa fase muito importante da minha vida, mas que teve o seu papel e este é o momento de “deixar as velhas vestes”...
Foi em 2013 que iniciei este projeto “A Psicóloga que também é Blogger”, um desafio imensamente gratificante por tudo o que me trouxe, uma partilha quase diária onde as emoções refletiam os casos clínicos que surgiam no meu sofá terapêutico.
Neste momento nasceu a Clinica da AutoEstima, o projeto por mim mais sonhado, mas que sem este caminho não teria sido possível concretizá-lo. Com este “bebé” nas mãos tem-se tornado difícil vir aqui escrever-vos e além disso, esta imagem já não me caracteriza. 
Hoje escrevo as ultimas palavras, nesta que foi, a minha casa durante 6 anos da minha carreira enquanto Psicóloga Clínica.
Continuarei a escrever, mas não num Blog... Continuarei a escrever em breve no site da Clinica da AutoEstima, numa versão de Cronista e não de Blogger... Continuarei a escrever livros e também para revistas ou artigos solicitados. Continuarei a escrever aqui e ali, apenas deixarei esta casa...
As mudanças são necessárias, não as devemos temer, devemos confiar nos passos que damos e continuar a caminhar mesmo que mudemos de direção.
Continuarei a falar de amor, sempre de amor...
Obrigada por todos este anos ao meu lado. Sem vós não seria o que sou hoje!
Procurem por mim na Clinica da AutoEstima, a minha nova e verdadeira casa de Amor.

Com Amor,
Débora





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16/09/19

Oportunidade ou obstáculo?




“No seio de uma montanha vivia um jardineiro. Ia todos os dias até ao riacho que corria através do vale e enchia dois potes de barro com água para o seu jardim.
Com os potes cheios e equilibrados nas extremidades de uma vara de madeira, conseguia transportá-los pelo caminho íngreme que conduzia ao seu jardim, na encosta da colina. Era um trabalho árduo, mas o homem tinha muito prazer em cuidar do seu jardim. Num quente dia de verão, a meio caminho, decidiu descansar. Quando pousou os potes, uma pequena pedra no solo fez um furo num deles.

Alguns meses mais tarde, enquanto o jardineiro dormitava junto do riacho, o pote sem furo disse para o outro:
- Não serves para nada.
O pote com furo respondeu:
- Que queres dizer com isso?
- Tens um furo. Todos os dias, o teu dono trabalha arduamente para levar água para o seu jardim, mas, quando lá chegamos, a maior parte da tua água já verteu.
Quando ouviu isto, o pote com furo ficou triste.

No dia seguinte, o pote contou ao jardineiro como se sentia.
- Diz-me, meu amigo, porque estás tão triste? – questionou o jardineiro
- Todos os dias me enches de água e trabalhas severamente para subir a montanha, mas quando chegamos ao jardim, a maior parte da água já verteu.
- isso é verdade. Tens um furo. Mas sabes o que isso quer dizer?
- Quer dizer que não sirvo para nada. Já não consigo cumprir a minha tarefa, que é transportar a água – referiu o pote sentindo-se ainda mais triste.
- Já olhaste para o caminho que subimos para chegar ao jardim? Graças a ti, a berma do caminho está cheia de flores. Quando percebi que tinhas um furo, comecei a plantar sementes ao longo do percurso. Agora, o caminho está decorado com bonitas flores e as abelhas vêm colher o pólen dessas flores.Como vês, não és nada inútil.” 
Prem Rawat


Esta mensagem é para ti que te lamentas das dificuldades que a vida te tem colocado no caminho... É para ti que não acreditas na possibilidade de acontecerem coisas boas.
Este pequeno exemplo, pretende clarificar a tua mente, mostrando-te que em qualquer adversidade ou contratempo, existe sempre um lado positivo e que só depende de ti agarrar essa oportunidade!
Aceita a tua [im]perfeição e cuida das tuas [in]capacidades, que é como quem diz, vê o lado positivo de teres construído um jardim no caminho por existir um buraco no pote.

Com amor,
Débora
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10/09/19

Sem amor... a vida falha!




Quando o Amor nos falta, falta-nos a criatividade.
Quando o Amor nos falta, falta-nos o sorriso.
Quando o Amor nos falta, ficamos presos à rotina do dia-a-dia.
Quando o Amor nos falta, perdemo-nos de nós...

Quando o Amor morre em nós, morrem-nos os sonhos!
Perdemo-nos ao sabor do vento e os nossos objectivos ficam na gaveta...
Quando o Amor morre em nós, não há músicas ou imagens que sirvam de inspiração, perdemo-nos da nossa essência.
Quando o Amor, nos deixa... Deixa-nos um vazio. Uma espécie de ausência de conhecimento sobre nós.

Quando o Amor evapora, evapora a água que na nossa pele cai.
Quando o Amor evapora, o brilho esvai-se!
O Vazio instala-se!

Quando o Amor evapora, evapora-se a vida...

Não permitas que o teu brilho, que o teu amor por ti se evapore! 
Esse é o único que só depende de ti.
Ama-te!
Faz o melhor por ti todos os dias. Não te anules, não te boicotes à espera de receber o amor externo. 
Procura dentro de ti o teu amor. Esse estará sempre contigo, apenas precisas de cuidá-lo.

Lembra-te: És a pessoa mais importante da tua vida.

Com amor,
Débora 

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08/09/19

Setembro = Recomeço




Ao longos dos anos em que vos escrevo, muitas vezes vos partilhei algumas vivencias pessoais, não obstante, alguns obstáculos no caminho. Nessas partilhas, trouxe-vos o tema do recomeço, como barómetro de evolução pessoal.
Setembro remete-me para a introspecção e para o que desejo alcançar até ao próximo Setembro [quase como se continuasse a ser a estudante em que o ano começa no mês nove].
Olho para o meu percurso e apercebo-me que está repleto de recomeços. E o extraordinário é que não olho com tristeza ou arrependimento, olho com alegria e entusiasmo, como se sentisse borboletas a voar dentro de mim, borboletas que me dizem que devo continuar e que a mudança é necessária para alcançar os meus sonhos.
Se é difícil? Imenso... Muitos momentos de desalento e descrença que quase boicotam o caminho que me proponho a fazer, mas mesmo no limiar da fuga, o bater de asas das borboletas dão-me a força que preciso para mudar de direção.

Isto para vos dizer, que chegou Setembro e têm nas vossas mãos a oportunidade de fazer o que quiserem com a vossa vida. Se estás feliz, continua o caminho, mas desafia-te a ir mais longe de forma a evoluíres o máximo que conseguires, pois manter tudo “sossegado” é esquecer que a vida pode ser muito mais do que a paz que já encontraste. Viver é sentir!
Se não estás feliz, muda a rota. Recomeça... Terás medo e vontade de parar e ficar nessa emoção triste a que te habituaste, mas se te levantares, se te atreveres a lutar pelo teu sonho, garanto-te que apesar das dificuldades que encontrarás, encontrarás também a emoção dentro de ti e a adrenalina de caminhar com fé até ao destino a que te propões.

Os recomeços serão sempre uma oportunidade de evolução. No momento não aceitas nem entendes essa dor e adversidade, mas depois... Depois perceberás que tinhas de recomeçar para teres a vida que tens hoje.

Desejo-vos um Setembro cheio de recomeços.


Com amor,
Débora
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25/07/19

O Mindfulness na busca do Amor



“A prática do Mindfulness constitui um comprometimento total com cada momento presente. Convidando-nos a relacionarmo-nos com esse momento em plena consciência, com uma intenção de incorporarmos o melhor possível uma orientação de serenidade, atenção plena e compaixão, no aqui e agora de cada momento.”
Jon Kabat-Zinn





Parar um momento no nosso dia para estar em contacto com quem somos genuinamente é o ato de Amor mais puro que podemos exercer para connosco.

Hoje em dia, ouve-se muito falar sobre Mindfulness , sobre a importância do aqui e agora. Parece que virou a moda do século. Contudo, esta prática é milenar e teve a sua origem no Budismo. Mais tarde, o Mindfulness foi introduzido na sociedade Ocidental por Jon Kabat-Zinn que ligou Mindfulness à Ciência.. Jon Kabat-Zinn desenvolveu a teoria de que a meditação poderia ser usada sem qualquer componente religiosa e criou o programa MBSR — Mindfulness Based Stress Reduction (redução de stress baseada em atenção plena) que veio revolucionar a forma como o mindfulness  é visto e de onde derivam as demais teorias.

A meditação permite-nos ter mais consciência dos nossos comportamentos e não obstante de quem somos.
Foi há uns anos [mais de 14 anos] que introduzi esta prática na minha vida, mesmo sem saber que o estava a fazer. Recordo-me que coincidiu com a minha entrada na faculdade, onde, conciliava os estudos e o trabalho. As aulas eram ao final do dia e quando chegava a casa, dava por mim a sentar-me na cama e a ficar pelo menos uma hora a pensar... A pensar no meu dia, no que tinha acontecido, no que tinha sentido... Não percebia o porquê dessa necessidade diária, mas a verdade é que passou a fazer parte da minha rotina. Muitas vezes pensava que estava a perder tempo, contudo, não conseguia evitar esse momento.
Mais tarde percebi que se tratava de uma forma de meditação e de como tinha sido importante permitir-me a estes momentos no meio de uma vida tão acelerada e exigente.


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07/06/19

Uma bagagem que nos pesa




Sozinha, no sofá, pensas... Pensas nos caminhos que te trouxeram até aqui! Pensas nas escolhas que fizeste. Recordas sorrisos e lágrimas...
Percebes que a tua mala já não é pequena. Percebes que já muitas se juntaram e que neste momento não as consegues levantar sozinha.
Tens uma bagagem do tamanho da tua idade. Do tamanho das tuas vivencias...
Uma nova mala nas tuas mãos... é cor de rosa e enorme. Começas a colocar vestes do presente mas teimas em lembrar o que existe nas outras, quase como se quisesses ter a certeza que essas peças já não te servem, mas enquanto fazes isso, as novas vestes esperam por ti e quando parares para as olhar podem já não ter tanta importância, correndo o risco de serem apenas bagagem...

Todos nós carregamos uma bagagem. Umas mais pesadas que outras, mas todas elas simbólicas e representativas de quem somos.
São a personificação de vivencias passadas, de pessoas, de escolhas, de caminhos...
São passado.
Guarda as aprendizagens e começa a colorir a tua nova mala, constrói a bagagem que hoje te faz sentido.

Não deixes de viver o agora com medo que volte a correr mal. Não vivas em função do que não foi...
Vive o agora!
Confia nas tuas novas vestes e segue de cabeça erguida. Confia nos sorrisos e nunca te esqueças que as coisas boas também acontecem hoje e sempre.

Se a bagagem te pesa... Não a tentes mover! Deixa-a ficar arrumadinha e usa apenas o que tens hoje ;)
Enquanto trazes memorias do passado, o presente vai passando e impede-te de construir um futuro!
A vida é sobre quem és e sobre quem queres ser e não sobre quem foste!


Com Amor,
Débora Água-Doce
Psicóloga Clínica | Fundadora da Clínica da AutoEstima

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19/05/19

Existem finais felizes




Hoje venho escrever-vos sobre aquele sentimento que me move, quem me lê, já sabe do que falo. Falo-vos do sentimento mais puro e intenso que existe: o Amor!

Quando era pequena, sonhava com o dia em que me vestiria de princesa, com o dia em que celebraria o Amor, o dia do meu casamento [e ainda não casei]. Passava horas intermináveis a brincar com bonecas. Casava as minhas barbies, todas tinham direito a um amor para a vida toda [nas minhas brincadeiras de criança não existiam divórcios] e foi assim que fui crescendo, acreditando que o Amor existe e que é a coisa mais importante da vida.
Hoje, adulta, continuo a acreditar num Amor para a vida toda [não de sempre, mas para sempre].
Faço do Amor a base da minha vida, é com ele que inspiro e potencio a capacidade de mudar a quem me procura no sofá terapêutico, é sobre o Amor que escrevo e é ele, o meu guia neste caminho que é a vida.

Ouve-se dizer por aí que as pessoas não mudam. Que “pau que nasce torto, nunca se endireita” e eu costumo responder a quem me diz isso que, se assim fosse, fechava a porta do consultório.
Acredito na mudança! As pessoas mudam! E o Amor muda as pessoas!!! Sim, tenho a certeza, o Amor cura, o Amor tem a capacidade de mudar o mundo. 
Mas... Tu não tens a capacidade de mudar ninguém! Nunca penses que conseguirás mudar alguém, não conseguirás. Esse processo de mudança ocorre apenas e só, se a pessoa assim o quiser e se sentir: AMOR!

Já vi muitas pessoas a mudar à minha frente, ao seu ritmo. Pessoas que erraram muito, pessoas que andaram perdidas, pessoas que sentiram amor [por elas e por mais alguém] e quiserem ser diferentes. Quiseram ser fieis, quiseram ser felizes sem “reticências” nem “mas”, pessoas que sentiram o que é verdadeiramente o Amor!

Escrevo-vos isto hoje, porque quero que acreditem no Amor. Ele existe! Não percam a crença de que existem finais felizes.
Não desistam à primeira, nem à segunda, nem à terceira. As relações constroem-se e o Amor também.
Não é por sentires uma química incontrolável por aquela pessoa que vai transformar-se em Amor. O Amor acontece quando desistes de procurar essa “loucura” dia a dia, quando aceitas a imperfeição da tua relação, quando percebes que podes errar, que podes perdoar. Quando sentes que dá um trabalho imenso mas que vale cada segundo de esforço. 

Quando descobres que aquele abraço é a tua casa, descobres o que é o Amor.

Hoje e sempre, Ama e permite-te a ser Amado.


Com amor,
Débora Água-Doce
Psicóloga Clínica
Fundadora da Clínica da AutoEstima

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11/03/19

A Clínica da AutoEstima



"Ainda me lembro dos amigos que não tive quando precisei deles para brincar.
Ainda me lembro de ir para a escola a chorar por não ter com quem falar.
Ainda me lembro de não querer acordar e o mundo de novo encarar.
Ainda me lembro de não ter uma amiga para partilhar."

Menina depreciada por ser diferente...
Menina depreciada por ser magrinha
Menina depreciada por não se vestir bem
Menina depreciada por não ser inspiração de ninguém.

- Não tens direito a ter amigos.
- És feia!
- És burra!
- És pobre!
- Ela é melhor que tu!
- Elas são melhores que tu!
- Tu não tens valor!
- Tu não consegues!
Diziam-me...

Namorado?
Mas quem é que te quer?
Já te viste ao espelho?

Assim cresceu a menina gozada,
Acreditando que não tinha valor, mas lutanto...

Menina gozada cresceu...
Menina gozada, estudou!
Menina gozada, transformou-se!
Menina gozada, lutou!
Menina gozada, provou... Tenho valor!!!

Hoje é inspiração para meninas gozadas!
Hoje ajuda lagartas a tansformarem-se em borboletas!
Hoje ajuda borboletas a voar!
Hoje não é gozada!
E não precisa gozar com outras para ser respeitada!”


Na minha infância não tive amigos... Vivi num monte, no Alentejo e não tinha ninguém além de um primo para brincar. A entrada na escola primária trazia a expectativa de ter muitos meninos para brincar, contudo, não foi isso que aconteceu.
O meu sonho depressa se desvaneceu ao perceber que não “gostavam” de mim. Era “pobre, magra e feia”, diziam-me, então, não tinha direito a brincar com eles.
Vivi isto em silencio... Não pensei que fosse importante contar aos meus pais.
Fui para o 5º ano pensando que alguma coisa mudaria, mas com a crença instalada de que não era suficientemente boa.
A crença continuou a confirmar-se, vivi uma adolescência triste, sendo a sombra das amigas giras, sempre a depreciar a pessoa que eu era. Aceitei a situação... Refugiava-me na escrita e no desenho, eram a minha terapia e nem eu sabia a importância que isso teria.


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09/01/19

Enfrente a vida com Amor




Já pensou na bênção que é acordar de manhã e poder viver mais um dia? Já pensou na sorte que tem de poder sair de casa e sentir a Natureza e a vida à sua volta?
Se eu lhe disser que tudo o que precisa para viver está em si e na Natureza que este Mundo nos oferece, acredita?

Hoje pensei em escrever-lhe sobre Amor de outra forma, decidi trazer um pouco de consciência ambiental e relacional a este espaço. Já o fiz noutros momentos, mas hoje, sinto uma vontade maior de deixar as palavras refletirem o que o Homem tem vindo a fazer ao Mundo com a falta de Amor que tem cultivado em si.

Alguns de vocês, sabem a minha origem, sabem que cresci e vivi sempre (até aos 23 anos) no campo, no lindo Alentejo. 
Cresci numa família humilde, onde se trabalhava para “por pão na mesa”, onde não se faziam férias e onde se esperava um ano para se ter uns sapatos novos.
Cresci rodeada de animais [daí o meu Amor e Respeito por eles], animais de companhia mas também animais para nos alimentarmos. No meu monte tínhamos galinhas, de onde vinham os ovos que nos alimentavam. Quando elas não punham ovos, às vezes não os tínhamos e não havia problema... Essas galinhas eram cuidadas com carinho apesar de terem um fim à vista. Talvez a minha avó escolhesse uma de 3 em 3 meses para fazer uma canjinha e outros pratos mais ricos.
Criávamos um porco todos os anos, em conjunto com família [e isto era o que me fazia mais confusão...] e não se comprava mais carne além da que nos calhava.
Tive uma galinha de estimação que foi a minha companhia durante muito tempo, ouço contar que comia as migalhas que ficavam no parque e até andava comigo de baloiço...
Naquele tempo, tínhamos uma horta e nem imaginam o bem que me sabia ir apanhar morangos e come-los ali, naquele momento. Tínhamos uma Árvore de maçãs e outra de peras, tínhamos laranjas, figos, ameixas, nêsperas e uvas.
Eram sempre semeados os legumes da época e assim tínhamos sempre o que precisávamos.
Ahhhhh o leite naquele tempo vinha de umas vacas que uma vizinha criava.
Tenho saudades do cheirinho do café de cafeteira que a avó fazia para o lanche e que me deixava provar, mas só um bocadinho pois “eu era pequenina”. 
Recordo-me do conforto do campo, das flores na primavera que eu adorava apanhar. Lembro-me das conversas com a Lua, onde não se ouviam carros e se viam tão bem as estrelas...
Os anos foram passando, as pessoas foram partindo e outras mudando...
Os meus pais ainda lá vivem, mas de outra forma... Já não existem animais além dos de estimação. Não existem frutos além das uvas e dos figos... 
“Oh filha isso dá muito trabalho e a gente não tem tempo com os nossos horários”, é o que me respondem quando refiro que podiam fazer lá mais alguma coisa.

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07/01/19

Não tem de mudar a sua vida




“Ano novo, vida nova”, ouve-se a cada esquina nestes primeiros dias do ano. Parece que temos de entrar na corrente ou corremos o risco de não ser integrados neste mundo de aparências e “clones” [onde está a individualidade nos dias de hoje?].

Não me parece que esse seja o caminho da felicidade que todos procuramos. Não sei se deve efetivamente procurar a mudança neste novo inicio de ano, mas sei que a verdadeira mudança e a verdadeira felicidade nascem da aceitação. Da aceitação de quem somos num todo. Isto é, aceitação do nosso corpo, de quem somos e da situação em que nos encontramos. Muitas vezes, as inseguranças com que nos debatemos diariamente existem porque achamos que as coisas deviam ser diferentes do que são.

Atualmente a sociedade exige-nos constantemente que mudemos as nossas vidas. É-nos incutida a necessidade de progredir, de fazer melhor, de parecer melhor, de nos sentirmos melhor. Temos que emagrecer, tonificar... Comer de forma mais saudável (agora é moda dietas saudáveis novas todos os dias), ter um emprego melhor, a melhor roupa do mercado e o corte de cabelo da moda, ganhar mais dinheiro (sem dinheiro não podes ter isto e aquilo e assim não és feliz)... Alguma vez lhe disseram que já é ótimo da forma como é?
Existe uma grande diferença entre querer genuinamente mudar alguma coisa na nossa vida e sentir que temos de mudar, porque temos de ser diferentes do que somos para sermos aceites ou nos integrarmos.

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