20/08/18

Vulnerabilidade

No seguimento do ultimo texto que vos partilhei, sobre a doença que me afecta, recebi inúmeras mensagens de agradecimento pela partilha, mas também de louvor pela coragem da mesma.
Essas mensagens criaram a necessidade de hoje vos trazer o tema: Vulnerabilidade.



Durante a formação em Psicologia, é-nos ensinado desde muito cedo que uma certa distancia e inacessibilidade contribuem para o prestigio e que, se formos demasiados empáticos a nossa credibilidade é colocada em causa.
Foram anos a ouvir isto, mas o certo é que quando fiquei frente a frente com o primeiro paciente, essa premissa desapareceu e só a empatia e a vontade de dar e ajudar surgiram em mim.
Mais tarde [em 2013], com a criação do Blog, surgiu novamente essa premissa da necessidade de manter um certo distanciamento... Tinha de me proteger, diziam-me!
Como poderia arriscar ser vulnerável, contando histórias sobre o meu caminho até aqui, sem parecer frágil para vos ajudar? Como ter uma “capa” profissional?
Inicialmente foquei-me muito em histórias de casos clínicos, mas rapidamente comecei a soltar palavras sobre mim, sobre todos nós, sobre a vida. Não temi as consequências.
Esta sou eu, esta é a minha forma de vos chegar, com partilhas reais [minhas ou de outros], com pontos em comum na vida de cada um.
Somos todos iguais no Ser e no Sentir e não é por ter esta Missão que sinto de forma diferente. Sou tão pessoa como vós. Apenas tenho ferramentas para vos iluminar o caminho e ajudar-vos a seguir o caminho do Amor.
Estamos aqui para criar vínculos uns com os outros. É este vinculo que dá propósito e significado às nossas vidas.




É possível existirem relações sem vulnerabilidade?

Não. Não existem! A vulnerabilidade é o cerne, o coração e a base das experiencias humanas significativas.
A vulnerabilidade não é rotulável de boa ou má. Ela é o centro de todas as emoções e sentimentos.

Sentir é ser vulnerável.

Considerar que vulnerabilidade é fraqueza é acreditar que sentir é fraqueza.
Bloquear as nossas emoções com medo do que pode acontecer é impedimo-nos de viver precisamente com o que dá propósito e sentido à vida.
A vulnerabilidade é a origem das emoções e das experiencias que desejamos. A vulnerabilidade é a origem do amor, da pertença, da satisfação, da audácia, da empatia e da criatividade.
A vulnerabilidade é a fonte de esperança, empatia, responsabilização e autenticidade. Se quisermos conhecermo-nos profundamente e viver em verdade com quem somos, a vulnerabilidade é o caminho.

A vulnerabilidade é caracterizada pela incerteza, risco e exposição emocional.

Pensem no Amor...
Amamos alguém que pode ou não retribuir o nosso amor, a segurança da relação não pode ser controlada por nós, não temos como garantir que aquela pessoa permanecerá nas nossas vidas para sempre ou que não nos trairá. Isto é vulnerabilidade!
O amor é incerto! É assustadoramente incontrolável. Amar alguém deixa-nos emocionalmente expostos...
Mas será possível imaginar uma vida sem amor? Sem amar e ser amado?
Se para mim o Amor é a base da vida e do sucesso do processo terapêutico, como poderia esconder a minha vulnerabilidade?
Sou em verdade comigo e é com essa verdade que vos chego e levo onde querem ir.


Com Amor,
Débora


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