10/07/18

Onde estás, sabes?




"Era uma vez um homem muito pouco inteligente que perdia tudo.
Um dia alguém lhe sugeriu:
- Para não perderes as coisas, tens de tomar nota de onde as deixas.
Nessa noite, à hora de deitar-se, agarrou num papelinho e pensou:
“Para não perder as coisas...”
Despiu a camisa, pendurou-a num cabide, agarrou num lápis e anotou: “a camisa pendurada no cabide”; tirou as calças, colocou-as aos pés da cama e anotou: “as calças aos pés da cama”; descalçou os sapatos e anotou: “os sapatos debaixo da cama”; tirou as meias e anotou: “as meias dentro dos sapatos debaixo da cama”.
Na manhã seguinte, quando se levantou, procurou as meias no local onde tinha anotado que as deixara, e calçou-as; e assim fez com a camisa, as calças e os sapatos. No fim, perguntou-se:
- E eu, onde estou?
Procurou na lista uma e outra vez, mas como não havia tomado nota de onde se deixara, nunca mais se encontrou a si mesmo."



Parece difícil esquecermo-nos de “onde nos deixamos”. Ao lermos este texto achamos ridículo que isto possa acontecer na realidade. E sim, no sentido efetivo da palavra, isto não acontece. Mas acontece, até com mais frequência do que deveria acontecer, esquecermo-nos de quem somos.

A sociedade exige cada vez mais de nós e leva-nos a desempenhar papéis sob o constructo da afirmação e valorização social. Somos o que esperam de nós... Tentamos corresponder à expectativa do gestor, do patrão, dos pares, dos pais que ambicionaram algo para nós... Queremos provar que somos “bons” e insubstituíveis e, inevitavelmente imiscuímo-nos do nosso Ser.




E nas relações afectivas?
Certamente já te apaixonaste e certamente já disseste que não poderias viver sem essa pessoa, mas, e sem ti? Podes viver sem ti? Já algumas vez paraste para pensar nisso?
Quando amas alguém, a tua primeira preocupação é o bem estar dessa pessoa. Cuidas da melhor forma que consegues. Dedicas tempo, atenção... Facilitas a sua vida. Alivias a tensão do dia a dia. Dás conforto e compreensão. Escolhes os seus sítios preferidos para a levar a passear.
Quando alguém te ama, faz exatamente o mesmo [mas à sua maneira, ninguém ama de igual forma].

Se fazes tudo pelo outro, porque não fazes por ti?
Porque não passas tempo contigo? Porque não vais aos teus sítios preferidos? Porque não te cuidas assim com tanto carinho, compreensão e dedicação?

A única relação que viverás mais tempo [até que a morte nos separe] é contigo!
Tu és a pessoa mais importante da tua vida e se não cuidares muito bem de ti, corres o risco de te perderes e nunca mais te encontrares, tal como o Sr do texto acima mencionado.
Cuida do outro, mas cuida muito melhor de ti!
Sê bom profissional, mas não te anules. Respeita a tua verdade interior.
É contigo que terás de conviver todos os dias a cada instante. Não deveria ser a relação mais cuidada?
Pensa nisso!


Com Amor,

Débora
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