20/06/17

Solidão




Nove meses e a vida surge-te perante a luz do nascimento.
A tua mãe estará contigo no primeiro respirar. É com ela (ou com o prestador de cuidados) que contarás a partir de agora. É dela que dependerás para sobreviver e crescer.
Aos poucos, compreendes o mundo à tua volta e gradualmente vais ganhando autonomia.
Todo o teu desenvolvimento visa a tua autonomia e não dependência.
És adulto e percebes que existe em ti um medo, que te controla o pensamento e a percepção sobre quem és e do que és capaz.
Um medo que comanda a tua vida.
Mas...



Será esse o teu propósito nesta vida? Viver aprisionado a pensamentos incapacitantes e redutores?
A autonomia que foste conquistando ao longo da tua vida, tem um propósito de ser. Existe uma razão para essa necessidade.
Sabes qual é o teu maior medo? Aquele que mais te limita?
A solidão!
Tens medo de estar sozinho. Achas que a tua felicidade está na “não solidão”. Muitas vezes percebes que alcanças a paz em momentos de solidão, mas recusas-te a viver essa verdade e deixas-te iludir pelo teu pensamento, que te diz que o caminho não é esse [tudo porque o desconheces, sempre viveste dependente de alguém], que deves voltar ao conhecido, o desconhecido é demasiado assustador.
Mas sabes? Esse medo não é apenas sentido por ti. Todos nós já o sentímos [ou ainda sentimos], é inerente ao ser humano, por tudo aquilo que enumerei no inicio.
Contudo, quero que saibas, que no momento em que te permitires a deixá-lo ir, a verdadeira essência da vida será sentida por ti.
Também eu já tive muito medo da solidão, mas ao olhar para a minha vida, reparo que estive sozinha muitas vezes [efetivamente] e não aconteceu nada, o mundo não acabou. É na solidão que vou ao encontro de mim, que me reconheço e conheço. Que me permito a crescer com as minhas reflexões, sobre os minhas escolhas e sobre os meus comportamentos. É na solidão que me permito a sonhar, a planear, a criar...
Não tenho medo da solidão, mas tenho medo de não ter com quem partilhar a minha vida, os meus sonhos e pensamentos...
Somos seres relacionais e como tal é natural que nos seja difícil viver sozinhos e isolados de qualquer contacto relacional, contudo, saudável não é, depender dos outros para ser feliz. Saudável é procurar dentro de ti o preenchimento para a tua vida. Não são as coisas nem as pessoas que vão determinar a tua felicidade, mas sim, a tua capacidade e a forma de te relacionares com essas coisas e com as pessoas.
Podes ser rico e conseguir comprar tudo o quiseres, mas se a tua relação contigo e com os outros não for de compaixão, nada do que possas comprar te trará felicidade ou paz de espírito.
Permite-te a momentos de solidão.
Ouve a tua voz interior, aquela que teimas em calar e deixa-te guiar neste caminho que tem como destino a liberdade. Só quem é livre consegue amar e viver em paz na solidão e na não solidão.
E sabes?
Nunca estás sozinho!
Tens um mundo em teu redor. Aceita-o!


Um abraço,
Débora Água-Doce
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