28/11/16

O Facebook que nos separa...



Hoje todos têm um facebook, hoje todos querem mostrar que são fixes e que têm uma página onde publicam a sua vida!
Hoje todos querem ser importantes para o mundo. Hoje todos procuram o elogio e o reconhecimento do outro.
Hoje vivemos na tentativa constante de ser melhor que alguém.
Até a avozinha já tem facebook... É a realidade!



Onde antes passávamos horas ao final do dia, em casa, a conversar, agora passam-se horas em silencio onde o olhar se prende no ecrã, na página do facebook, à procura de amigos e da vida dos outros... Triste!!!
Onde antes havia partilha existe agora uma ausência emocional gigante.
Onde antes existiam sonhos, agora existe a vida virtual.
É mais fácil falar com estranhos virtualmente do que pessoalmente. Já reparou nisso?
Quantas vezes já passou por pessoas que vê frequentemente na rua e nunca lhes dirigiu palavra?
E quantas vezes já “adicionou como amigo” essas pessoas que não conhece?
Tudo começa logo por aqui. A facilidade com que interagimos virtualmente. Parece que não existem filtros! É fácil clicar no botão “adicionar amigo” e sermos o que quisermos para essa pessoa. Sim, virtualmente podemos ser quem nós quisermos!

Mostramos as fotos que mais nos favorecem, falamos de assuntos que achamos que os outros vão gostar, damos a conhecer o melhor de nós. Mas… Não é isso que acontece quando se conhece uma nova pessoa? Dar a conhecer o melhor de nós? Sim! Contudo, virtualmente, podemos ser quem não somos! Virtualmente podemos ter apenas qualidades! Somos seres perfeitos.
Os seres perfeitos não têm “remelas”, não se despenteiam, não ressonam, não reclamam… É fácil construir uma idealização da pessoa que está do outro lado do ecrã. É fácil fantasiar com a relação perfeita. Afinal, todos nós queremos uma “história de encantar”.
Todos nós desejamos conhecer alguém perfeito e esse alguém idealizado nunca nos desilude, pois não é real!
Porquê que isto acontece?
Acontece pela necessidade de se sentir adrenalina ou por outras palavras, pela necessidade de nos sentirmos vivos!!! Todos nós ansiamos essa sensação! Todos nós temos necessidade de nos sentirmos desejados, admirados e amados. No fundo, a base da existência do flirt está no sentir que despertamos algo em alguém e que alguém o desperta também em nós.
É frequente ouvir em consultório, queixas sobre o “amor virtual”…
Contam muitas vezes, que os parceiros começam por passar horas intermináveis ao computador, horas que antes passavam juntos e o diálogo de antes dá lugar à discussão de hoje.

Mas sabem?
Lamento o que ando a sentir cada vez mais.
Sinto que o Amor está em crise. É o Amor que atravessa a maior das crises!
Já não se reconhece a capacidade de produzir o efeito da espera que só dois corpos podem produzir. Hoje, a dúvida do “telefonar ou não” cedeu espaço à dúvida do “elimino ou não elimino”, faço “gosto ou não gosto”.

Desiste-se facilmente do Amor.
Lamento…

Débora Água-Doce
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