16/04/15

Um fantasma que assombra e o método EMDR






A noite chega, o silencio impera!
É o momento em que os pensamentos dão tréguas.
Sinto-me confortável ao sentir os olhos a fecharem-se, a consciência a ir...

Os primeiros raios de sol surgem,
Com eles os meus olhos reagem
Um novo dia começa!
A realidade de novo se enfrenta!

A vontade de não acordar
A vontade de não lembrar
A vontade de dormir
A vontade de esquecer...
É maior do que qualquer amanhecer!


Maria sofreu de uma doença há mais de 10 anos, uma doença que quase a matou...
Hoje, continua a teme-la, receia que volte a apoderar-se de si e que desta vez a vença.
Muitas vezes acorda com o mesmo pesadelo “sonho que estão todos no meu velório”, um pesadelo que a inquieta e a impede de descansar mais nessa noite.

A Maria sofre de stress pós-traumático e a intervenção neste caso, passa pelo método EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) que quer dizer Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento Ocular. Trata-se de um método de dessensibilização e reprocessamento de experiências emocionalmente traumáticas por meio de estimulação bilateral do cérebro, a qual promove a comunicação entre os dois hemisférios cerebrais.
O processamento natural da informação é reposto e assim após uma sessão com EMDR, a percepção psicosensorial já não se manifesta como antes quando o acontecimento traumático é trazido à mente. As memórias ainda são recordadas mas o efeito perturbador desaparece. O EMDR recria o que acontece naturalmente durante o sonho ou o sono na fase REM (Rapid Eye Movement) e pode ser encarado como uma terapia de base fisiológica, que ajuda a pessoa a encarar e viver os traumas de uma forma nova e sem os efeitos perturbadores.

É um poderoso método psicoterapêutico. Um número substancial de estudos científicos já provou a eficácia do EMDR. Os resultados destes estudos indicam que se trata de uma técnica muito eficiente e que os resultados são duradouros a longo prazo.
Esta nova abordagem para o tratamento de traumas emocionais foi desenvolvida pela Drª Francine Shapiro, psicóloga americana, na década de 80, e desde então tem sido um dos métodos psicoterapêuticos mais amplamente pesquisados nos EUA, com recomendação especial da Associação Americana de Psiquiatria.
Fruto de larga pesquisa, as possibilidades de intervenção foram ampliadas passando a abranger as fobias, os transtornos do pânico, depressão e enfermidades psicossomáticas (Shapiro, 2007).


Débora Água-Doce




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