22/04/15

A imperfeição do perfeito






Olho.
Diariamente vejo vidas espelhadas nos ecrãs.
Vejo vidas coloridas repletas de sorrisos.
Roupas bonitas. Momentos deliciosos e refeições apetitosas.
É espelhado no nosso olhar a felicidade dos outros.
Todos mostram o melhor de si! O melhor dos seus dias. O que lhes dá orgulho mostrar. O que desejam que seja visto.
É a competição do “eu sou melhor”!

Caminho.
Encontro vários olhares. Olhares presos no chão. Olhares sem brilho. Olhares tristes...
Encontro roupas velhas.
Encontro sorrisos esquecidos. Rostos petrificados.
Nas carteiras os trocos pagam as refeições desse dia e às vezes da semana.

Caminho mais um pouco.
Vislumbro ao longe uma roupa bonita. Um sorriso rasgado. Um brilho no olhar...

Continuo...
Mais olhares no chão...

Perante tanta felicidade espelhada nas redes sociais, como se justifica tanta tristeza nos passeios da vida?
Como se justifica que os 100% bonitinhos não sejam reais perante esta realidade pós-ecrã?
Estamos na era do “eu sou o melhor”, na era da “perfeição”.
Então porque motivo esta perfeição me parece tão imperfeita?

Desafio-vos hoje, a serem, sem quererem mostrar! Apenas sejam e sintam a liberdade de serem!




- Débora Água-Doce -
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20/04/15

Entregar ou viver “com um pé dentro e outro fora”?





Gosto de histórias de amor!
Gosto de finais felizes!
Gosto de ajudar as pessoas a acreditarem nessa possibilidade!
Diariamente lido com finais não felizes e com histórias de desamor, mas eu acredito e continuarei a acreditar no Amor. E, é por isso, que tento desenvolver essa capacidade de afecto diariamente no meu consultório.
Muitas vezes perguntam-me:
“Dra, já sofri tanto... Deverei continuar a acreditar no Amor?
Deverei continuar a acreditar que existe a possibilidade de ser feliz no Amor?
Apetece-me baixar os braços e ficar sozinha para sempre...”

Entregar-se e viver a possibilidade de ficar novamente sem “tapete”?
Amar alguém e perder esse alguém?
Muitas vezes, inconscientemente, desenvolvemos mecanismos de defesa que nos bloqueiam emoções e comportamentos. O não entregar-se verdadeiramente a uma relação poderá ter sido potenciado por uma perda, uma perda difícil de ultrapassar...
Contudo, o não viver verdadeiramente uma relação, está a impedir-nos de experienciar uma relação satisfatória.
É quase como se algo faltasse sempre. O parceiro nunca será o “o outro” complementar de mim. E nisto, vivemos relações superficiais com medo de sofrer...
Mas estaremos a ser felizes?
Estaremos a dar ao outro a possibilidade de ser feliz?

Entregar ou viver “com um pé dentro e outro fora”?
Vá com medo, mas vá...
Se cair, levantamo-nos outra vez!
As vezes que forem precisas...
“Viver com um pé dentro e outro fora” não é opção.



- Débora Água-Doce -
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16/04/15

Um fantasma que assombra e o método EMDR






A noite chega, o silencio impera!
É o momento em que os pensamentos dão tréguas.
Sinto-me confortável ao sentir os olhos a fecharem-se, a consciência a ir...

Os primeiros raios de sol surgem,
Com eles os meus olhos reagem
Um novo dia começa!
A realidade de novo se enfrenta!

A vontade de não acordar
A vontade de não lembrar
A vontade de dormir
A vontade de esquecer...
É maior do que qualquer amanhecer!


Maria sofreu de uma doença há mais de 10 anos, uma doença que quase a matou...
Hoje, continua a teme-la, receia que volte a apoderar-se de si e que desta vez a vença.
Muitas vezes acorda com o mesmo pesadelo “sonho que estão todos no meu velório”, um pesadelo que a inquieta e a impede de descansar mais nessa noite.

A Maria sofre de stress pós-traumático e a intervenção neste caso, passa pelo método EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) que quer dizer Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento Ocular. Trata-se de um método de dessensibilização e reprocessamento de experiências emocionalmente traumáticas por meio de estimulação bilateral do cérebro, a qual promove a comunicação entre os dois hemisférios cerebrais.
O processamento natural da informação é reposto e assim após uma sessão com EMDR, a percepção psicosensorial já não se manifesta como antes quando o acontecimento traumático é trazido à mente. As memórias ainda são recordadas mas o efeito perturbador desaparece. O EMDR recria o que acontece naturalmente durante o sonho ou o sono na fase REM (Rapid Eye Movement) e pode ser encarado como uma terapia de base fisiológica, que ajuda a pessoa a encarar e viver os traumas de uma forma nova e sem os efeitos perturbadores.

É um poderoso método psicoterapêutico. Um número substancial de estudos científicos já provou a eficácia do EMDR. Os resultados destes estudos indicam que se trata de uma técnica muito eficiente e que os resultados são duradouros a longo prazo.
Esta nova abordagem para o tratamento de traumas emocionais foi desenvolvida pela Drª Francine Shapiro, psicóloga americana, na década de 80, e desde então tem sido um dos métodos psicoterapêuticos mais amplamente pesquisados nos EUA, com recomendação especial da Associação Americana de Psiquiatria.
Fruto de larga pesquisa, as possibilidades de intervenção foram ampliadas passando a abranger as fobias, os transtornos do pânico, depressão e enfermidades psicossomáticas (Shapiro, 2007).


Débora Água-Doce




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09/04/15

Os limites somos nós que os criamos!




Tendemos a não valorizar o que é nosso!
Tendemos a considerar que não somos capazes!
Tendemos a sentir que os outros é que conseguem!
Tendemos a depreciar o que se faz em Portugal!
“Os de “fora” é que são bons!” Ouve-se por aí.
Mas será que os de “dentro” não têm valor?

Vou contar-vos uma história, uma história de um jovem que sonhou, lutou e conquistou.
Um miúdo que arriscou e foi atrás dos seus sonhos! Um miúdo que lutou por aprender e fazer cada vez melhor!
Concorreu a várias audições de caça-talentos, nomeadamente TVI em 2008, Ídolos 2009, Operação Triunfo 2010, contudo, sem resultados positivos.
Mais tarde, em 2012, volta a tentar a sua entrada nos Ídolos. O primeiro “sim” do miúdo sonhador, estava a acontecer. Foi aqui que o vi crescer semana a semana.
Ele trabalhou, trabalhou, trabalhou...
Foi criticado tantas, tantas e tantas vezes...
Não acreditaram nele!
O júri não o valorizava, diziam “não sei porque ainda aqui estás”...
Mas esse miúdo, acreditava no sonho dele! Esse miúdo colocou paixão em todo o seu esforço e desafiou tudo e todos...
Esse miúdo, que ouviu “não” mas não desistiu, acreditou e trabalhou... Venceu!
Esse miúdo, foi o Vencedor!

Esse miúdo, que hoje voa bem alto, mantém o brilho no olhar de quem é apaixonado pela música. Hoje, continua a sonhar e a lutar pela realização dos seus sonhos, potenciando a capacidade de sonhar a quem o ouve.

Esse miúdo, lançou agora o seu primeiro álbum. Um álbum repleto de paixão e amor, um álbum conquistado por ele, pelo seu mérito, pela sua capacidade de ouvir um “não” e continuar à procura de um “sim”.
Um álbum que adoro e que vos partilho, pois, em Portugal existe talento! Existe capacidade de fazer acontecer.

Este seu primeiro álbum, que se denomina “Espelho”, é um espelho de Amor, do Amor...
Este “Espelho”, é a “banda sonora” que está a acompanhar um novo projeto meu. Um projeto pessoal, um projeto que não me distancia da psicologia, mas me aproxima do coração, de mim...
Um projeto pessoal, que é “da Débora” e não “da psicóloga”.
Um projeto que dói e rouba sorrisos, um projeto de amor, sobre amor, com amor...
Um projeto... que tem o nome: “Tua”!

Obrigada Diogo Piçarra!


Débora Água-Doce
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