16/02/15

O amor não é cego, tem falta de vista.

A minha escolha de hoje :) A história de Amor da Alice e do JB




"Vou contar-vos a história de amor que mais gosto, a minha.

Tudo começou há 6 anos e uns meses atrás. Estava no autocarro que partia de Lisboa para Évora com o intuito de ir visitar a minha família ao fim-de-semana, como já era hábito da rotina universitária. Mas aquele sábado iria mudar todo o rumo da minha vida.
Era inverno e o sono apertava no calor do autocarro e não havia meio de conseguir dormir devido aos gritos e choros de dois bebés que se encontravam nos bancos de trás. Curiosamente atrás do meu banco estava um rapaz que também queria dormir e não conseguia. Olhei subtilmente para trás à procura de algo que me tirasse o sono, já que não conseguia dormir e não é o meu espanto que o rapaz começou a meter conversa comigo porque também estava a ficar irritado com a choradeira dos bebés.
Sentou-se ao meu lado e falámos vivamente até chegar ao destino. As horas tinham corrido rapidamente durante aquela conversa longa e pensei com os meus botões:  “ Este rapaz é tão giro e interessante”. Não trocámos de contactos, mas feita curiosa quis procurá-lo no Facebook da minha altura que seria o Hi5. Lembram-se dessa rede social? Já lá vai o tempo. Como tínhamos amigos em comum, procurei aqueles que ele tinha referido e no meio de tantas caras, lá o encontrei.

Passado uns dias mandou-me um convite de amizade, falámos por mensagens e cada vez ficava mais convencida que estava completamente interessada naquele rapaz. Nem que fosse um mero flirt, tinha de me encontrar com ele novamente, mas eu era tímida demais para lhe pedir um encontro. Por isso, o destino tratou disso por mim. Vocês acreditam no destino? Eu acredito.
Sabem porque é que acredito? Já vão saber a seguir a razão.
Nós falávamos imenso pelo Messenger e só nos tínhamos encontrado novamente num inesperado e rápido café em Évora. O meu coração explodiu e as borboletas voaram no meu estômago nesse dia.
Passaram-se meses após esse encontro e voltámos a falar novamente pelo Messenger, face à minha vontade insaciável de querer voltar a vê-lo, faço uma pergunta um pouco reveladora:
“ Nunca mais te vi no autocarro, o que é feito de ti?”
Ele responde: “Autocarro? Eu nunca vou de autocarro, costumo ir de comboio.”
Admirada disse: “O quê? Então não te lembras do dia em que nos conhecemos? Conhecemo-nos no autocarro com os bebés a chorar e nós sem conseguirmos dormir…” e eis que ele diz:       “Não, conheço-te desde o liceu, não te lembras?”. O meu olhar petrificou, gelei as minhas mãos no teclado e pensei: “Estou a ler bem?” Pedi desculpa e respondi que não me lembrava dele, mas que estava a gostar de o conhecer. 

Estaria apaixonada por alguém que eu não sabia mesmo quem era? Pensava que era uma pessoa, mas não era essa pessoa. Isso importava-me? Não. A pessoa do autocarro já tinha fugido do meu pensamento há muito tempo. Só conseguia pensar nas conversas que tinha com o João ou JB como ele gosta de ser chamado. Ele lembrava-se imenso de mim, tinha assistido a uma peça de teatro no secundário onde eu tinha participado, sabia alguns amigos que tínhamos em comum, entre outras coisas.
Eu não sabia nada sobre ele a não ser o que falávamos os dois. Apenas sabia que sentia aquelas borboletas no estômago quando pensava nele e especialmente na única vez que o vi. Tínhamos tanto em comum, gostos, interesses, um sentido de humor que encaixava bem…e eis que ele propõe um café.
Nervosismo total. Passámos uma tarde num parque, ele a tocar guitarra e eu estava completamente derretida. Parecia-me haver uma química entre nós, mas eu era demasiado tímida para revelar qualquer indício do que estava a sentir. Encontrámo-nos mais vezes após esta saída e sim dávamo-nos muito bem.

Passado algum tempo, criei coragem e num acto de cobardia (irónico, não é?), mandei uma mensagem pelo telemóvel a dizer: “Sinto coisas por ti (um silêncio apoderava-se sobre mim no momento em que enviei a mensagem) ”.
Dez minutos depois de uma espera agoniante, ele apenas responde: “Falamos amanhã os dois pessoalmente”.  Aterrorizada com esta resposta, comecei a fantasiar o pior…ele ia dar-me uma “tampa”.
No dia seguinte, lá estava no café e o que é que pensei? Se eu monopolizar o tempo de conversa, ele não vai ter tempo para me dar uma “tampa”, vou para casa e acabou-se. Conclusão? Consegui realizar o maior monólogo de sempre e ele aguentou como só o senhor que ele é. Duas horas a ouvir-me falar e quase nunca lhe dava hipótese de dizer fosse o que fosse, não fosse ele dizer o inevitável.
Terminado o café, ele quis levar-me à porta de casa e eu aceitei. Frente ao portão da minha casa, dá-se um breve momento de silêncio e eis que ele diz: “Não me deixaste falar um único momento. Então e a nossa conversa?” Estava imóvel e calada. Ele pergunta timidamente: “Queres experimentar?” Devolvi a pergunta com outra pergunta naïve: “Experimentar o quê?” e ele disse, o que na altura pensava como impossível vindo da boca dele: “ Queres namorar comigo?”…

Sou imensamente feliz há 6 anos e tenho de agradecer tanto à minha falta de vista. Sim, falta de vista. Um mês depois de começarmos a namorar e termos entendido melhor o que se tinha passado com a nossa história, o JB começou a achar que eu tinha falta de vista…e não é que ele acertou?

Isto tudo para vos dizer o quê? A nossa história é a minha história favorita. Gosto tanto de contá-la e não resisti em partilhá-la convosco, porque há magia nela. O destino existiu redondamente nela ou pelo menos é o que eu acredito. Se eu não fosse despistada e a minha vista fosse óptima, seria feliz como sou hoje? Duvido. Quando falo sobre amor com os meus amigos e eles se queixam que o amor ainda não lhes deu uma hipótese, digo num tom brincalhão: “Quando tiver de ser, será…não vale a pena estares constantemente à procura dele, porque quando o amor te sorrir, irá ser quando menos o esperas”.  

“O que é feito do rapaz do autocarro?”, perguntam vocês.  Não sei, mas só espero que ele seja tão feliz quanto eu."


Alice
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