25/11/14

O Amor é violento?





Anita de 38 anos, tem um filho e é divorciada. Aguentou um casamento de mais de 18 anos de violência física e psicológica até ao dia em que decidiu que não iria continuar a viver assim!
Reergueu-se e voltou a apaixonar-se, sem barreiras, sem limites… Até que aconteceu o inevitável,  a relação terminou. Anita foi à falência emocional e perdeu toda a sua autoestima… Embora só há mais de seis meses, sente que o seu coração ainda está preenchido e não tem forças para se libertar do grande amor que viveu e muito menos, forças para recomeçar mais uma vez.

Era ainda uma criança quando decidiu casar, aos 19 anos…
                 
“Casei quando ainda era uma criança. Não sabia nada da vida… Achava que com o casamento iria ser tudo diferente!
Mas eu não tinha amor-próprio. Fui aguentando um casamento de maus tratos, tanto físicos como psicológicos e tive um filho. Aguentava porque acreditava que ele iria mudar, mas também porque não queria que o meu filho crescesse sem pai, sem referências… Valeu-me as agressões físicas. Cheguei a ser violada pelo meu próprio marido que dizia ter direito! Fui-me acomodando…
O que iria fazer sozinha? Até que um dia ganhei coragem e fui pedir o divórcio! Eu não podia sair de casa, senão era abandono do lar e tivemos que ficar assim, numa relação que não era nada, até um juiz lhe dar ordem de abandonar a casa!”.

Com o coração despedaçado, a autoestima em baixo e um filho, Anita, agarrou-se ao trabalho e às amigas!

“Trabalhei muitas horas por dia, assim distraia a mente. Gostava de estar com as minhas amigas… Tinha uma relação falhada, mas não foi difícil ultrapassar. A relação era um tormento e foi um alívio quando me “libertei””.

Três anos depois do divórcio, Anita conheceu Luis que também se tinha separado recentemente e estava tão carente quanto ela.

“Voltei a apaixonar-me e foi tão bom! Nunca fui mulher de seguir a moda no vestir, mas ele achava que eu estava sempre bem. Era maravilhoso! Não sou magra, nem gorda mas tenho alguns complexos com o corpo e quando estive com ele nem me lembrei disso…
Gradualmente fui deixando de sair com as minhas amigas porque era com ele que me sentia completa! Saiamos às sextas, sábados e domingos. Andávamos sempre juntos e eu cheguei a achar que seria assim para sempre, que tinha finalmente ganho o direito de ser feliz. E eu fui feliz! Era tudo maravilhoso! Tinha finalmente a atenção, carinho e dedicação que nunca tinha tido até ali… Era bom demais para ser verdade”.

Após um ano de relacionamento, a relação começou a mudar… Luis deixou de atender o telefone, sempre que a Anita lhe ligava como habitualmente e começou a sair mais vezes com os amigos.

“É o tal sexto sentido das mulheres! Eu sentia que algo não estava bem… Quando o confrontava, ele dizia que eram coisas da minha cabeça. Ele estava a afastar-se. Saia com os amigos e aparecia às duas, três da manhã quando nunca o tinha feito antes… Quando me cansei das suas ausências e do seu afastamento, ele confessou que as coisas tinham mudado e que queria voltar para a ex-mulher…”.

Quando acabou a relação, há cerca de seis meses, Anita viu-se completamente perdida e abandonada!

“Foi horrível! Quando precisei de chorar, não tinha ninguém… Tinha-me afastado de tudo e de todos e vivido só para ele. Chorei muito, sofri muito. Acostumei-me a estar só com ele, a contar com ele para tudo e de repente fiquei sem tapete! Tinha muita vergonha de assumir que estava completamente perdida. Faltava-me o carinho, a cumplicidade… Eu tinha a certeza que gostava dele, que o amava e sentia que ninguém me compreendia… Era como se me faltasse o ar, nada mais interessava!
Tenho dias em que não há nada, não se passa nada e outros, que sinto um aperto, uma dor e dou por mim a chorar…”

Quando acabou a primeira relação, Anita foi a primeira pessoa a dizer que se sentiu aliviada, mas a sua segunda relação tem sido muito difícil de ultrapassar…

“Sou uma mulher que ama demais, que se entrega demais e por isso tenho medo de me voltar a entregar… Senti-me usada, gozada e traída. Tenho muito medo que volte a acontecer… Tenho 38 anos e tenho medo de tudo e todos, não me sinto disponível para voltar a amar… Acho que não sou suficientemente bonita… Sinto que a minha mãe, uns bons anos mais velha do que eu tem melhor apresentação e está menos acabada do que eu…
Tenho medo de tudo! Embora esteja sozinha de facto, sinto que o meu coração não está sozinho e que ainda amo o meu ex-namorado.
Se ficar sozinha, não me importo, pelo menos sei que não vou voltar a sentir o que sinto… Não vou ser palhaça! Acredito que dentro de algum tempo vou deixar de acordar a meio da noite e vou deixar de chorar e vou conseguir dormir.”


Anita sofreu de violência domestica durante quase metade da sua vida!
A violência quando surge, muitas vezes é considerada pela vitima como uma forma natural do companheiro manifestar ou demonstrar o seu amor, acabando por considerar que são comportamentos normais os ciúmes excessivos e as atitudes agressivas de controlo e sentimentos de posse.
A vitima, apesar da angustia e dor sentidas, interpreta as agressões como: “Se tem ciúmes é porque gosta muito de mim”; “se me bate é porque eu mereço, devo ter feito algo errado”...
O amor não maltrata!
Quando há amor, há “cuidar do outro”...
Não espere, tal como a Anita, 18 anos para conseguir sair dessa “prisão”!
É certo que esta relação também não resultou, mas é certo que estamos no caminho pela sua autonomia e conquista de amor incondicional – o seu, por si própria!

Eu acredito que a Anita voltará a sorrir!
Eu acredito que conseguirá ser feliz!


 - Débora Água-Doce - 


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24/11/14

A viagem começou...




Andei anos a vaguear...
Anos a tentar perceber o que trago em mim.
O que sinto!
O que quero!
Quem sou?
Para onde vou?
E com quem?

Quantas vezes já se questionou sobre quem é, o que quer, para onde vai e com quem? Certamente até desesperou com essas questões...
Mas sabe? Estas questões representam o ponto de partida para encontrar-se com a pessoa mais importante da sua vida: VOCÊ!
Frequentemente a busca incessante de um companheiro, a busca do bem-estar no outro, desfoca-nos e afasta-nos do momento presente e de nós!
Todos nós sabemos que as relações ocupam um lugar fundamental nas nossas vidas, mas jamais deveremos acreditar que temos direitos sobre a existência do outro ou o outro sobre nós!

É urgente sabermos quem somos, encontrarmo-nos connosco próprios e aprender a não depender!
Aprender a não depender!!!? Tarefa difícil, tendo em conta que nascemos dependentes do cuidado do outro (pais) e crescemos dependentes desse mesmo cuidado. Contudo, a conquista da autonomia é a conquista da identidade individual.
A nossa individualidade é caracterizada em grande parte, pelos nossos gostos e pela busca constante do sentido da vida – o que quero ser?; o que me apaixona?; qual a minha vocação? – ou seja, para onde quero ir!
Ao alcançarmos este conhecimento, estamos prontos para “escolher” alguém que nos acompanhe neste caminho. 
Algumas pessoas ficarão para trás na sua vida. Faz parte... Os  nossos objectivos vão mudando, nós vamos mudando, afinal, estamos a descobrirmo-nos, estamos em construção.

Quando atingimos o conhecimento sobre a nossa individualidade, quando não precisamos do outro para sermos um, quando não precisamos do outro para gostarmos de nós, quando nos sentimos bem com a nossa solidão, estamos prontos para seguir viagem com alguém ao nosso lado! 
É preciso coragem para deixar ir quem já não existe e abrir a “porta” ao amor, ao nosso verdadeiro companheiro de viagem!

A viagem começou...

“Porque este amor é teu
E eu já só vou amar
Que bom não acabou
A máquina acordou”
A Máquina (acordou) Amor Electro



- Débora Água-Doce -
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19/11/14

O vento que sopra a vida...




Há uns anos ainda eras um menino,
Ainda brincavas com carrinhos,
Ainda sonhavas ser marinheiro!

Há uns anos sonhavas sem medo,
Voavas nos sonhos,
Navegavas no pensamento!

Há uns anos o vento levava-te para a fantasia,
O conto de fadas existia,
O destino eras tu quem o fazia!

Há uns anos o vento não soprava a tua vida, eras tu quem a escolhia!
Eras tu quem decidia com que “carrinho brincar”,
Com que amigo jogar...

Hoje és adulto,
E hoje já não sonhas como antes!
Hoje já não arriscas como antes!
Hoje já não decides como antes!
Hoje já não queres ser marinheiro!

Hoje... O vento sopra a tua vida!
Vives ao “sabor do vento”... No compasso dos que te rodeiam.
Vives focado no que pensam de ti! No que esperam de ti!
Lutas por uma liderança que te é distante!
Lutas por um objectivo que não é o teu.
Desististe dos teus sonhos...

Não és marinheiro... Não és quem sonhaste ser!
És capaz, mas não arriscas!

Conformaste-te com “o vento que sopra a vida”!



- Débora Água-Doce -
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08/11/14

Não podemos evitar a chuva...




Aqui no quentinho do meu sofá reparo na chuva lá fora.
Reparo no desenho que deixa, ao cair sobre as janelas... Parecem lágrimas...
Lágrimas de saudade... De tristeza.
Do que chorará o mundo?
Do que terá saudade?
Lamentará a forma como nos tratamos, como não nos amamos?
Lamentará os riscos que não corremos por medo?
Lamentará o sofrimento que provocamos nos outros?
Lamentará os olhares que se afastam?
Lamentará os que se lembram e não estão juntos?
Lamentará a fome?
Lamentará a guerra?
Lamentará a violência?
Lamentará a arrogância?
Lamentará a inveja?
Lamentará a vingança?
Lamentará a traição?
Lamentará as doenças?
Lamentará a morte?

Do que chorará o mundo?
Chora? Ou dá-nos a água que necessitamos para viver?
Chora ou “lava-nos” do que nos faz mal?
O mundo chora ou faz-nos parar para termos outra oportunidade?
Outra oportunidade de viver?
Outra oportunidade para agarrar o agora?
Outra oportunidade para sermos felizes?
“Não podes evitar a chuva!”... Não podes evitar sentir!

Do que chorará o mundo?
Do que sorrirá o sol?
Do que soprará o vento?



- Débora Água-Doce -
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06/11/14

Pequenos instantes...



Existem instantes que nos marcam.
Instantes que nos preenchem.
Instantes que nos acompanham durante dias, meses, anos...
Existem instantes que fazem o tempo parar.
Existem instantes em que a felicidade surge!
Existem instantes de olhares,
Instantes de toque.
Instantes de perfume...
Instantes de silencio.
Instantes de nada...
Existem instantes que significam tanto... Não devemos fugir desses instantes! São esses momentos que nos preenchem a alma e transformam o nosso dia.
Devemos viver esses instantes!
A vida é isso: instantes!
Todos eles significam algo, nem que sejam isso mesmo: apenas instantes!

Somos instantes!



- Débora Água-Doce -
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