19/06/14

A Felicidade no Amor




“Volta sensação, volta!
Quero-te só mais um momento!
Quero recrear um mundo perfeito!
Volta e leva os meus medos!!!

Com um sorriso paras o tempo...
Que saudades de me sentir Princesa...
Tua...
Volta sensação! Volta!”


Passamos a vida em busca da felicidade, em busca da felicidade no abraço do  outro, no beijo do outro, no calor do outro...
É tudo tão fugaz, mas tão mágico...
Essa sensação transforma os nossos medos e inseguranças em capacidades que desconhecíamos ter.
Sentimos alegria ao acordar, o banho sabe melhor, cada gosta de água percorre o nosso corpo e devolve-nos energia.
A roupa fica-nos bem ao vermos o nosso sorriso no espelho!
Vamos a sorrir pela rua, as pessoas olham e nada nos contém, sorrimos ainda mais!
O trabalho corre melhor do que nunca...
Tudo acontece de forma positiva, quase que acreditamos que os contos de fadas e a perfeição existem!!!
E existem! Nem que seja por um momento, eles existem.
E não deveria ser sempre assim???

Procuramos a felicidade no Amor...
Procuramos amar e ser amado!
Procuramos sentir e ser sentido!
Procuramos o que sonhamos e acordamos ao encontrar...
Procuramos o que não temos e quando temos deixamos de querer e procuramos outra vez...
Esta busca incessante de querer o que não temos, cansa e destrói... Mas... Também dá vida!!! Adrenalina e borboletas e é isso que queremos!!!
Queremos uma vida interessante e apaixonante!
E porque não deveríamos querer???

Pedro Chagas Freitas escreveu:
“- Só a corda bamba te prende à vida.
- Mas dói. Mas treme.
- E no entanto segura-te. E no entanto agarra-te. Faz-te querer mais daquilo, para sempre daquilo. Só o que te escorrega por entre os dedos te prova verdadeiramente que tens dedos. Só quando estás perante a quase morte valorizas a vida.
- Gostas de tremer?
- Preciso de tremer. Preciso de sentir a corda bamba, as pernas bambas, o corpo bambo. Só o que me tira de mim me alimenta. Um orgasmo faz-me tremer, uma euforia faz-me tremer.
- Uma dor também.
- Tenho de entender o que sou. Mesmo que doa. Só quem treme entende o que é. Os outros não são: vão sendo. E nunca tremem. Tenho uma pena tão grande de quem nunca tremeu. O que andam eles a fazer por aqui? Nada do que não me fez tremer foi inesquecível.
- A vida serve para viver momentos inesquecíveis.
- Nunca te esqueças disso. Só existe vida se algo em ti estiver bambo. Só o que te faz tremer te impede de esquecer.
- Faço-te tremer.
- Sempre.
- E quando parar?
- Teremos de encontrar outros caminhos. Outras formas.
- Outras pessoas?
- Se tiver de ser. As pessoas servem para te manter alerta, para te manter atento, para te manter ligado. Quando uma pessoa que amas serve para te desligar já não é uma pessoa que devas amar. O amor tem de exigir vigilância máxima, tens de ser um soldado no campo de batalha, todo o teu corpo à espera de um ataque, de uma bala perdida. E se há algo em que o amor é imbatível é na quantidade de balas perdidas que liberta. Por vezes és atingido e nem percebes. E já não existe amor, só uma dor que se vai alargando no meio do teu peito, uma dor que te consome, que te dilacera, que te abate. Pensas ser amor e é apenas uma ferida. Há feridas que parecem amor.
- Uma distração e o amor acaba.
- Uma distração e a vida acaba.
- Foi o que eu disse.”

O que pensa sobre esta visão da Felicidade?
Espero o seu comentário :)
Sinta e escreva...



Débora Água-Doce
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