22/12/14

É Natal e sinto...



Muitas vezes, sentimos nesta altura do ano uma certa nostalgia… Parece que existe um “nervoso miudinho” instalado dentro de nós…
As ruas vestem-se de luzes, as montras vestem-se de embrulhos, as pessoas correm de um lado para o outro à procura do melhor presente, mas no fim… Lá surge aquela ansiedade…
Mas de onde virá ela?

Empenhamo-nos nos preparativos: o presépio, a árvore, a decoração da mesa, as refeições, os presentes… Tudo tem que estar perfeito! Até o cão tem de vestir o fatinho de PaiNatal 
Mas será esta azáfama saudável?
Esta correria e desgaste físico, bem como, os gastos monetárias e emocionais, despoletam muitas vezessentimentos de frustração e ineficácia. Podemos até sentir que o nosso esforço e empenho, não é reconhecido pelos outros.

Já lhe aconteceu?
Sugiro-lhe que pare por um momento. Sinta o seu corpo… Olhe à sua volta… Repare nos sorrisos… Nas cores… Nas luzes… No cheiro…
Aproveite para sentir o momento!
Aproveite para partilhar carinho!

Muitas vezes, em vez de aproveitarmos o momento, passamos o tempo preocupados com o que ainda não fizemos ou com o que pode correr mal, o que gera ansiedade e impede-nos de estar bem. E afinal, estaremos nós a viver o Natal? Ou estaremos nós a permitir que as preocupações sejam a nossa vida?

Este Natal aproveite o momento! Aproveite cada pormenor… Cada sensação!
Tenha um Feliz Natal!

*Débora Água-Doce*
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16/12/14

Vamos brincar na chuva?



Dói em mim cada desencontro. 
Cansam-me as palavras que não se dizem, magoam-me os silêncios que gritam e as noites de sonhos incompletos. 
Cansam-me os projetos sem ti...
É tempo de deixar ir... Deixar ir os medos.
É tempo de falar sabendo que vais ouvir!
É tempo de sorrir sentido a companhia de um olhar...
É tempo de ouvir música e dança-la a dois!
É tempo de dizer: O destino somos nós!

Basta de um “se for o destino...”.
Basta de um “não podemos”!
Basta de desencontros!

Vamos voar?

- Débora Água-Doce -
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07/12/14

Entrevista ao Jornal Observador - É mulher? Ama demais? Esta entrevista é para si!

Mulheres que cresceram numa família disfuncional, com baixa autoestima e que procuram o conto de fadas. Por norma, este é o perfil de quem ama demais, diz ao Observador a psicóloga Débora Água-Doce.

“Amar demais” não existe pelo simples motivo de que o amor não se mede. Mas há, sim, relações disfuncionais, nas quais a pessoa perde-se para o outro. Falamos, neste caso, de mulheres com baixa autoestima e que possivelmente terão recebido pouco afeto na infância. Que vivem em constante desamor e que colocam-se, inconscientemente, a jeito para relações impossíveis ou até mesmo destrutivas, numa procura incessante pelo “conto de fadas”; que no currículo têm amores proibidos, clandestinos, violentos ou manipuladores. Mulheres que, regra geral, são inteligentes, fortes e bem-sucedidas profissionalmente.
As palavras são de Débora Água-Doce, psicóloga clínica formada pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada e com consultório no Canto da Psicologia, além de autora do livro “De uma mulher para mulheres que amam demais”, acabado de chegar ao mercado. Habituada a escrever no blogue A psicóloga que também é blogger, passou para o papel soluções para problemas com que se depara diariamente. Em entrevista ao Observador, Débora Água-Doce explica quais os sintomas de quem sofre deste estado de “desamor”, como os contos de fadas moldam expectativas impossíveis e por que razão a mulher valoriza demasiado as relações. Acima de tudo, deixa o recado: “a nossa felicidade não é alcançada com o outro” e que “o outro não pode servir para me completar e sim complementar”.
capa_de uma mulher para mulheres que amam demais
D.R.
O que e isso de “amar demais”?
Chamamos “mulheres que amam demais”, mas isto não existe. Não existe uma forma de medir o amor. Não há muito ou pouco amor, simplesmente ama-se. O “amar demais” é uma forma que arranjámos, digamos perfumada, para não estigmatizarmos estas mulheres. Isto é um gostar disfuncional, é uma codependência.

Qual é o perfil da mulher que “ama demais”?
Normalmente são mulheres que não se amam a elas próprias. Isto vem desde muito cedo e, na maior parte das vezes, é formado logo na própria infância, no sentido em que as mulheres crescem numa relação onde emocionalmente não foram atendidas, houve alguma coisa que faltou — o carinho por parte dos pais que foi pouco ou o ter existido mais crítica do que elogio… uma falta de amor. Como elas não estão em contacto com esse amor, procuram que os pais as amem, procuram ser perfeitas aos olhos deles. Muitas vezes transformam-se em mulheres de sucesso profissional porque são muito exigentes com elas próprias — procuram a perfeição porque querem ser amadas.

Como é que elas se põem a jeito para estas relações disfuncionais? Elas não escolhem, isto não é um processo de escolha consciente. Simplesmente quando surge alguém que pode ser um namorado funcional — uma pessoa que pode permitir ter uma relação saudável — elas nem se apercebem. Não valorizam e acabam por se submeter a relações disfuncionais sempre na esperança de poderem mudar, através do amor, a outra pessoa. Vamos imaginar que uma mulher destas conhece uma pessoa que a ama verdadeiramente e que a trata bem, a relação provavelmente nem vai resultar porque a mulher não tem contacto com estas emoções positivas. As mulheres que amam demais acham que o amor é sinónimo de dor. Então, quando surgem alguém que lhes dá prazer e não dor e que as faz sentir alguma felicidade, acabam por se retirar da relação. Porque não têm contacto com aquela emoção, aquilo é o desconhecido.
Qual é a importância do pai enquanto figura masculina?
O pai é o primeiro exemplo que surge na vida da mulher, é o primeiro exemplo com o qual a mulher tem contacto. E o primeiro homem a dar amor à mulher. Quando se diz que a mulher procura um parceiro semelhante ao pai, muitas vezes tem que ver com as mulheres que vão tentar transformar o parceiro naquilo que não conseguiram transformar o pai (e também a mãe). Mas quando temos um pai que é exigente, que dá pouco afeto, esta mulher vai crescer com carência emocional e vai procurar isso no companheiro. Vai tentar mudar o companheiro como não conseguiu mudar o pai. É inconsciente e é uma necessidade emocional.

O que é um amor “desajustado” e “disfuncional”?
Corresponde às mulheres que acham que estão a sofrer por amor, que sentem que não são amadas da forma como queriam e que vivem constantemente em relações que consideram ser destrutivas e impossíveis. Não falamos só de mulheres que são maltratadas, embora, muitas vezes, as mulheres que “amam demais” estão associadas às vítimas de violência doméstica. No fundo, são pessoas que se maltratam e que se deixam maltratar emocional e psicologicamente. Procuram um amor impossível, aquele do conto de fadas.

O livro explora o medo de perder uma pessoa e o comportamento obsessivo. São coisas que se relacionam?
Sim. Trata-se de mulheres que fazem, por norma, um controlo obsessivo pelos parceiros por medo de ficarem sozinhas. Como são muito inseguras, não confiam em ninguém: nem nelas próprias nem no parceiro. Acham sempre que não são suficientemente boas para eles. Então, desenvolvem todo um mecanismo de controlo à volta da relação que é sufocante, seja pelo telemóvel ou, por exemplo, pelas redes sociais.

Porque é que a mulher, no geral, dá tanta importância ao conceito do amor?
Foi sempre um pouco assim e já vem detrás. Nós, desde pequenas, somos educadas nesse sentido. Hoje em dia, as coisas estão um pouco diferentes, mas se olharmos para as nossas avós e para as nossas mães vemos que elas cresceram com a ideia de ter uma família, de ter filhos. Isso foi-nos incutido. Mas não é só a questão cultural, em que antigamente os homens iam trabalhar e as mulheres ficavam em casa a tomar conta dos filhos, tem também que ver com os contos de fadas, com as histórias que nós ouvimos desde pequenas. No fundo, todas sonhamos em ter um conto de fadas, ter o nosso príncipe encantado e o “viveram felizes para sempre”. Valorizamos demasiado as relações.

O conto de fadas pode ser um inimigo para a mulher real?
Eu acho que é bom sonhar, até trago muitas vezes a necessidade do sonho para o contexto terapêutico. Não vejo o conto de fadas como um inimigo, mas não é uma realidade. É preciso saber que há uma continuidade a partir do “viveram felizes para sempre” que nos é transmitido. O “viveram felizes para sempre” não traz o acordar de manhã despenteado, os chinelos que ficaram fora do sítio, as contas que existem por pagar, as dificuldades que se vão encontrando no dia a dia devido às diferenças de cada um. Então, quando nos confrontamos com a realidade, quando começamos a ver que o nosso príncipe afinal tem coisas que não nos agradam, muitas vezes não conseguimos lidar com isso e acabamos por desistir um pouco das relações ou, então, a vivê-las em sofrimento. Mas, na maior parte das vezes, até há solução dentro da própria relação, o que acontece é que as pessoas não têm bem noção do que isso é, ficam-se um pouco pelos contos de fadas e aí, sim, concordo que eles nos podem prejudicar. A ideia em causa é alimentada através de várias formas. No fundo, tentam transmitir-nos que o amor é com um conto de fadas… São as telenovelas, os filmes, os livros, que nos mostram um amor muito idealizado e que, muitas vezes, foge à realidade. É quase como se nos dissessem que isso é que é amar.

As mulheres estão mais dispostas a sofrer por amor do que os homens?
Acho que sim, se bem que os homens também sofrem muito por amor. Tentei desenvolver grupos dedicados aos “homens que amam demais”, mas teve pouca adesão [Débora é responsável por grupos terapêuticos para “mulheres que amam demais”]. Acho que os homens não falam tanto de amor, não foram educados nesse sentido. Nós, enquanto mulheres, falamos desde muito cedo umas com as outras dos namorados e dos rapazes… Os rapazes não. Não falam com os amigos, até porque esse tipo de conversa acaba por ser um pouco piroso. Mas isto é algo que afeta também os homens e o mecanismo que está por detrás é o mesmo. Hoje em dia tenho quase tantos homens como mulheres em consultório. Já lá vai o tempo que eu tinha dois ou três. Cada vez mais está a emergir a necessidade de o homem cuidar de si emocionalmente.

Porquê? O que é que está a mudar?
A mulher está a assumir papéis que antigamente não eram assumidos. A mulher já não assume a postura de ficar em casa a tomar conta dos filhos. A mulher vai para a rua trabalhar tal qual o homem. Penso que isto tem alguma influência porque os papéis misturaram-se. O homem também toma conta dos filhos.

Até que ponto a sociedade influencia-nos a casar e a ter filhos?
A pressão social existe em todo lado, mas nós somos seres relacionais. Nós precisamos de pessoas, não conseguimos viver sozinhos. Há um momento em que vamos sentir a necessidade de ter alguém na nossa vida, contudo é muito a pressão social que nos faz procurar a relação. Chega uma altura em que as pessoas começam a questionar-se — “tenho 30 anos e não tenho namorado”, “quando é que eu vou ter filhos?”. Isto começa desde muito cedo: os nossos pais, avós e amigos começam a exigir-nos algumas coisas. As pessoas acabam a faculdade e a seguir é expectável que se casem e tenham filhos. Mas a nossa felicidade não é alcançada com o outro. O outro não pode servir para me completar e sim complementar. Eu não preciso do outro para ser feliz.

E o amor depois dos filhos? Do que se pode esperar?
Uma relação passa por várias fases e construí-la demora tempo, tem momentos que nem sempre são os melhores. Uma relação exige, acima de tudo, cedências e harmonia. O casal que está muito apaixonado ao início… com o tempo isso vai dando lugar a amizade e companheirismo, o que, no fundo, é o amor. A paixão dá lugar ao amor. O que podemos esperar de uma relação com o passar do tempo? Podemos esperar uma confiança mútua, segurança, o querer estar com a pessoa sem ser com aquelas borboletas na barriga, porque isso desaparece. As relações são feitas de momentos. Quando termina a magia — e vou chamar-lhe borboletas na barriga — não quer dizer que a relação terminou. Podemos ter chegado ao amor e não sabermos o que isso é. Mas se sentirmos que não queremos estar com aquela pessoa, que já nada nos faz sentido ou que já não há os mesmos objetivos — o cheiro já incomoda, o toque que é indiferente e já não há preocupação um com o outro –, se calhar aí é melhor repensar a relação. Agora se a magia acabou e ficam coisas como admiração… é o amor, a relação instalou-se.

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25/11/14

O Amor é violento?





Anita de 38 anos, tem um filho e é divorciada. Aguentou um casamento de mais de 18 anos de violência física e psicológica até ao dia em que decidiu que não iria continuar a viver assim!
Reergueu-se e voltou a apaixonar-se, sem barreiras, sem limites… Até que aconteceu o inevitável,  a relação terminou. Anita foi à falência emocional e perdeu toda a sua autoestima… Embora só há mais de seis meses, sente que o seu coração ainda está preenchido e não tem forças para se libertar do grande amor que viveu e muito menos, forças para recomeçar mais uma vez.

Era ainda uma criança quando decidiu casar, aos 19 anos…
                 
“Casei quando ainda era uma criança. Não sabia nada da vida… Achava que com o casamento iria ser tudo diferente!
Mas eu não tinha amor-próprio. Fui aguentando um casamento de maus tratos, tanto físicos como psicológicos e tive um filho. Aguentava porque acreditava que ele iria mudar, mas também porque não queria que o meu filho crescesse sem pai, sem referências… Valeu-me as agressões físicas. Cheguei a ser violada pelo meu próprio marido que dizia ter direito! Fui-me acomodando…
O que iria fazer sozinha? Até que um dia ganhei coragem e fui pedir o divórcio! Eu não podia sair de casa, senão era abandono do lar e tivemos que ficar assim, numa relação que não era nada, até um juiz lhe dar ordem de abandonar a casa!”.

Com o coração despedaçado, a autoestima em baixo e um filho, Anita, agarrou-se ao trabalho e às amigas!

“Trabalhei muitas horas por dia, assim distraia a mente. Gostava de estar com as minhas amigas… Tinha uma relação falhada, mas não foi difícil ultrapassar. A relação era um tormento e foi um alívio quando me “libertei””.

Três anos depois do divórcio, Anita conheceu Luis que também se tinha separado recentemente e estava tão carente quanto ela.

“Voltei a apaixonar-me e foi tão bom! Nunca fui mulher de seguir a moda no vestir, mas ele achava que eu estava sempre bem. Era maravilhoso! Não sou magra, nem gorda mas tenho alguns complexos com o corpo e quando estive com ele nem me lembrei disso…
Gradualmente fui deixando de sair com as minhas amigas porque era com ele que me sentia completa! Saiamos às sextas, sábados e domingos. Andávamos sempre juntos e eu cheguei a achar que seria assim para sempre, que tinha finalmente ganho o direito de ser feliz. E eu fui feliz! Era tudo maravilhoso! Tinha finalmente a atenção, carinho e dedicação que nunca tinha tido até ali… Era bom demais para ser verdade”.

Após um ano de relacionamento, a relação começou a mudar… Luis deixou de atender o telefone, sempre que a Anita lhe ligava como habitualmente e começou a sair mais vezes com os amigos.

“É o tal sexto sentido das mulheres! Eu sentia que algo não estava bem… Quando o confrontava, ele dizia que eram coisas da minha cabeça. Ele estava a afastar-se. Saia com os amigos e aparecia às duas, três da manhã quando nunca o tinha feito antes… Quando me cansei das suas ausências e do seu afastamento, ele confessou que as coisas tinham mudado e que queria voltar para a ex-mulher…”.

Quando acabou a relação, há cerca de seis meses, Anita viu-se completamente perdida e abandonada!

“Foi horrível! Quando precisei de chorar, não tinha ninguém… Tinha-me afastado de tudo e de todos e vivido só para ele. Chorei muito, sofri muito. Acostumei-me a estar só com ele, a contar com ele para tudo e de repente fiquei sem tapete! Tinha muita vergonha de assumir que estava completamente perdida. Faltava-me o carinho, a cumplicidade… Eu tinha a certeza que gostava dele, que o amava e sentia que ninguém me compreendia… Era como se me faltasse o ar, nada mais interessava!
Tenho dias em que não há nada, não se passa nada e outros, que sinto um aperto, uma dor e dou por mim a chorar…”

Quando acabou a primeira relação, Anita foi a primeira pessoa a dizer que se sentiu aliviada, mas a sua segunda relação tem sido muito difícil de ultrapassar…

“Sou uma mulher que ama demais, que se entrega demais e por isso tenho medo de me voltar a entregar… Senti-me usada, gozada e traída. Tenho muito medo que volte a acontecer… Tenho 38 anos e tenho medo de tudo e todos, não me sinto disponível para voltar a amar… Acho que não sou suficientemente bonita… Sinto que a minha mãe, uns bons anos mais velha do que eu tem melhor apresentação e está menos acabada do que eu…
Tenho medo de tudo! Embora esteja sozinha de facto, sinto que o meu coração não está sozinho e que ainda amo o meu ex-namorado.
Se ficar sozinha, não me importo, pelo menos sei que não vou voltar a sentir o que sinto… Não vou ser palhaça! Acredito que dentro de algum tempo vou deixar de acordar a meio da noite e vou deixar de chorar e vou conseguir dormir.”


Anita sofreu de violência domestica durante quase metade da sua vida!
A violência quando surge, muitas vezes é considerada pela vitima como uma forma natural do companheiro manifestar ou demonstrar o seu amor, acabando por considerar que são comportamentos normais os ciúmes excessivos e as atitudes agressivas de controlo e sentimentos de posse.
A vitima, apesar da angustia e dor sentidas, interpreta as agressões como: “Se tem ciúmes é porque gosta muito de mim”; “se me bate é porque eu mereço, devo ter feito algo errado”...
O amor não maltrata!
Quando há amor, há “cuidar do outro”...
Não espere, tal como a Anita, 18 anos para conseguir sair dessa “prisão”!
É certo que esta relação também não resultou, mas é certo que estamos no caminho pela sua autonomia e conquista de amor incondicional – o seu, por si própria!

Eu acredito que a Anita voltará a sorrir!
Eu acredito que conseguirá ser feliz!


 - Débora Água-Doce - 


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24/11/14

A viagem começou...




Andei anos a vaguear...
Anos a tentar perceber o que trago em mim.
O que sinto!
O que quero!
Quem sou?
Para onde vou?
E com quem?

Quantas vezes já se questionou sobre quem é, o que quer, para onde vai e com quem? Certamente até desesperou com essas questões...
Mas sabe? Estas questões representam o ponto de partida para encontrar-se com a pessoa mais importante da sua vida: VOCÊ!
Frequentemente a busca incessante de um companheiro, a busca do bem-estar no outro, desfoca-nos e afasta-nos do momento presente e de nós!
Todos nós sabemos que as relações ocupam um lugar fundamental nas nossas vidas, mas jamais deveremos acreditar que temos direitos sobre a existência do outro ou o outro sobre nós!

É urgente sabermos quem somos, encontrarmo-nos connosco próprios e aprender a não depender!
Aprender a não depender!!!? Tarefa difícil, tendo em conta que nascemos dependentes do cuidado do outro (pais) e crescemos dependentes desse mesmo cuidado. Contudo, a conquista da autonomia é a conquista da identidade individual.
A nossa individualidade é caracterizada em grande parte, pelos nossos gostos e pela busca constante do sentido da vida – o que quero ser?; o que me apaixona?; qual a minha vocação? – ou seja, para onde quero ir!
Ao alcançarmos este conhecimento, estamos prontos para “escolher” alguém que nos acompanhe neste caminho. 
Algumas pessoas ficarão para trás na sua vida. Faz parte... Os  nossos objectivos vão mudando, nós vamos mudando, afinal, estamos a descobrirmo-nos, estamos em construção.

Quando atingimos o conhecimento sobre a nossa individualidade, quando não precisamos do outro para sermos um, quando não precisamos do outro para gostarmos de nós, quando nos sentimos bem com a nossa solidão, estamos prontos para seguir viagem com alguém ao nosso lado! 
É preciso coragem para deixar ir quem já não existe e abrir a “porta” ao amor, ao nosso verdadeiro companheiro de viagem!

A viagem começou...

“Porque este amor é teu
E eu já só vou amar
Que bom não acabou
A máquina acordou”
A Máquina (acordou) Amor Electro



- Débora Água-Doce -
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19/11/14

O vento que sopra a vida...




Há uns anos ainda eras um menino,
Ainda brincavas com carrinhos,
Ainda sonhavas ser marinheiro!

Há uns anos sonhavas sem medo,
Voavas nos sonhos,
Navegavas no pensamento!

Há uns anos o vento levava-te para a fantasia,
O conto de fadas existia,
O destino eras tu quem o fazia!

Há uns anos o vento não soprava a tua vida, eras tu quem a escolhia!
Eras tu quem decidia com que “carrinho brincar”,
Com que amigo jogar...

Hoje és adulto,
E hoje já não sonhas como antes!
Hoje já não arriscas como antes!
Hoje já não decides como antes!
Hoje já não queres ser marinheiro!

Hoje... O vento sopra a tua vida!
Vives ao “sabor do vento”... No compasso dos que te rodeiam.
Vives focado no que pensam de ti! No que esperam de ti!
Lutas por uma liderança que te é distante!
Lutas por um objectivo que não é o teu.
Desististe dos teus sonhos...

Não és marinheiro... Não és quem sonhaste ser!
És capaz, mas não arriscas!

Conformaste-te com “o vento que sopra a vida”!



- Débora Água-Doce -
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08/11/14

Não podemos evitar a chuva...




Aqui no quentinho do meu sofá reparo na chuva lá fora.
Reparo no desenho que deixa, ao cair sobre as janelas... Parecem lágrimas...
Lágrimas de saudade... De tristeza.
Do que chorará o mundo?
Do que terá saudade?
Lamentará a forma como nos tratamos, como não nos amamos?
Lamentará os riscos que não corremos por medo?
Lamentará o sofrimento que provocamos nos outros?
Lamentará os olhares que se afastam?
Lamentará os que se lembram e não estão juntos?
Lamentará a fome?
Lamentará a guerra?
Lamentará a violência?
Lamentará a arrogância?
Lamentará a inveja?
Lamentará a vingança?
Lamentará a traição?
Lamentará as doenças?
Lamentará a morte?

Do que chorará o mundo?
Chora? Ou dá-nos a água que necessitamos para viver?
Chora ou “lava-nos” do que nos faz mal?
O mundo chora ou faz-nos parar para termos outra oportunidade?
Outra oportunidade de viver?
Outra oportunidade para agarrar o agora?
Outra oportunidade para sermos felizes?
“Não podes evitar a chuva!”... Não podes evitar sentir!

Do que chorará o mundo?
Do que sorrirá o sol?
Do que soprará o vento?



- Débora Água-Doce -
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