25/10/13

Solidão!



Sozinha no aconchego do lar, dei por mim a pensar na Solidão…

Dei por mim a pensar: o que é isso da Solidão? O que é isso do sentir-se sozinho?
Nesse momento, peguei no caderno e decidi escrever o que a solidão ditava.
Automaticamente me lembrou o caso de um paciente que tem medo da Solidão. Mas o que é isso de ter medo da Solidão?

Existem dois tipos de solidão: a solidão objectiva e real, quando não estamos acompanhados por alguém (em psicologia denomina-se objecto externo) e a solidão interna, subjectiva, quando o nosso interior, o nosso psíquico está vazio de pessoas significativas (em psicologia denomina-se objecto interno).
No primeiro caso há uma perda do objecto, no segundo caso há uma perda do amor do objecto.
Estar sozinho externamente é desgostoso, é aflitivo, é enfadonho, mas estar só afectivamente é incapacitante, é o sentir que está acompanhado mas está só… A solidão interna é destroçadora de auto-estima.

Então pensei: que tipo de solidão despertará medo ao meu paciente? Será que não adquiriu a capacidade de estar só objectivamente? Será esse o seu medo?
Ou será que se sente só “dentro de si”?
Na fase de terapia em que nos encontramos, ainda não é possível responder a estas questões, temos um longo caminho a percorrer, contudo, fica clara a necessidade de desenvolver a capacidade de estar só.

“Solidão externa quanto baste, solidão interna o menos possível”
António Coimbra de Matos

Deixo-lhe um desafio, reflicta sobre as seguintes questões:
- O que significa para si a Solidão?
- Como é sentir a Solidão?
- Tem medo da Solidão?
- Já se sentiu internamente sozinho?


Não prolongue a Solidão!



Débora Água-Doce

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09/10/13

O namorado “perfeito”



Luis, chega ao consultório a dizer que não consegue continuar a viver assim.
Apos 6 meses de terapia, consegue finalmente dizer-me que não foi sincero! Diz que tentou ser “perfeito” aos meus olhos, tal como faz na vida quotidiana.

“Dra… Como sabe, tudo corre bem na minha vida! Fiz todo o percurso escolar com sucesso. Licenciei-me cedo… Comecei pouco tempo depois a trabalhar na área em que me especializei e desde aí, nunca estive desempregado. Sou reconhecido pelas minhas capacidades! Todos me admiram, sejam colegas ou chefes.
Na minha zona de residência, todos me adoram! Dou-me bem com toda a gente! Os meus pais, têm imenso orgulho em mim…
Tenho muitos amigos! Socialmente, sou extrovertido, divirto toda a gente e adoro conhecer pessoas novas.
Preocupo-me muito em agradar a todos, até aos que não conheço.
Tenho uma namorada linda! Que adoro e todos admiram. Mas apesar disto tudo, não sou a pessoa perfeita que pareço…
Principalmente, para a minha namorada, sei que não sou o namorado perfeito…
Sabe Dra, tenho que ser sincero consigo… Não consigo ser leal à minha namorada! Não sei explicar… Gosto dela, admiro-a, mas procuro sempre algo externo…
Veja bem, sou capaz de passar horas no Facebook a ver perfis de raparigas que conheço, outras nem tanto… Percorro as suas fotografias de “fio a pavio” e a algumas até envio mensagens… Já viu Dra…? Não sou leal… Mas ela confia em mim, apesar de reclamar do tempo que passo na internet, acredita em tudo o que digo. Minto tão bem…
Mas sabe? Eu preciso daquilo! Preciso sentir que me admiram…
Que vergonha! Nunca a traí fisicamente, mas isto já é traição…
Não sou o que pensam de mim… Não sou o Sr perfeito! Mas não quero desiludir ninguém… Muito menos a minha namorada. Apenas não consigo controlar… É como se fosse uma necessidade que me corre nas veias…
Reparei que não aceito quando não sou o melhor em qualquer situação. Por exemplo, gosto muito de jogar à bola, mas se não sou o melhor, acabo por sair da equipa e procuro outra onde eu seja o melhor! Tenho a necessidade de liderar e ganhar!
Mas já percebi que não posso ser sempre o melhor, apenas não quero que os outros também o saibam…
Não tenho amigos melhores do que eu… Será por isso que os escolhi para meus amigos?”

Ao ouvir a confissão de Luis, confesso que senti um alivio. Era obvio que não existia tal perfeição. O ser Humano é imperfeito!
Finalmente estava perante o momento que potenciaria a mudança!
Como transformar a imagem de ser o “melhor do mundo” em “ser o melhor no mundo de alguém”? Tarefa longa mas exequível!
Espero em breve trazer-lhe noticias do Luis (nome ficticio).
Até lá, pense em si! Reflicta sobre o que acima referi e sinta quem é! Quem é na sua essência!
É IGUAL AOS SEUS OLHOS, COMO AOS OLHOS DOS OUTROS?
A resposta a esta questão, pode ser a chave para a vivência do momento presente, a chave para a vida!
Olhe para si! Conheça-se, sem filtros!


Débora Água-Doce
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