13/06/13

Ciúme… Vivo por ti!




A Maria chegou até mim preenchida por um sentimento de sufoco “são ciúmes”…”não consigo controlar os ciúmes”…”sou muito obsessiva”(sic).
Contou-me que examina o telemóvel do namorado de uma ponta a outra, confirma tudo o que consegue. Não suporta que trabalhe com mulheres… Desconfia sempre que ele está interessado noutra pessoa. Não suporta quando ele se atrasa um pouco no telefonema do almoço, quando acontece esse atraso, Maria, automaticamente fantasia que ele estará com outra mulher.
Quando ele sai mais tarde do trabalho, Maria já imaginou vários cenários e quando ele chega, já não está feliz à sua espera… Surge uma discussão… O tempo que deviam aproveitar para estar juntos a partilhar, é usado para se magoarem e afastarem.
A Maria tem noção, que os seus pensamentos são apenas pensamentos, não são reais, contudo, não consegue evitá-los e inevitavelmente sofre… E como sofre… É uma dor insuportável… Vivencia tudo como se fosse real!
A Maria, fala-me dos seus medos como se fossem reais, como se estivessem a acontecer…
Vive focada no namorado e na relação! Esquecendo-se de si…
Há dias confessou-me que já nem se cuida como antes, deixou de conseguir olhar para o espelho e sentir-se bonita!
“Preciso curar-me deste ciúme, desta insegurança!”(sic).

Existem vários tipos de ciúmes, no entanto, os mais comuns são aqueles vivenciados numa relação a dois, tal como a relação da Maria.
Já todos, em algum momento da nossa vida sentimos ciúme! O ciúme é um sentimento inerente ao ser humano e, embora seja quase sempre conotado negativamente, existem formas positivas de lidar com ele e muitas vezes é saudável para a relação.
Mas e quando o ciúme é como o da Maria?
Quando é vivenciado assim, pode não só destruir a relação do casal, como afetar negativamente qualquer pessoa, não só aquela que é incapaz de controlar o ciúme, como aquela que é alvo do mesmo. O ciúme está frequentemente associado a comportamentos paranóicos, de desconfiança e obsessivos, em que um elemento do casal tenta controlar o outro ao máximo, limitando o que faz, com quem se relaciona…
É necessário ter consciência de que este tipo de ciúme não é saudável, nem para si, nem para a relação.
Já pensou que os ciúmes que sente, por exemplo, quando o seu namorado fala de uma certa colega de trabalho ou quando vai tomar café com aquela amiga podem ser um indicador de que falta algo na vossa própria relação?
Gostava que ele a convidasse de vez em quando apenas para um café? Gostava que ele partilhasse consigo o mesmo tipo de conversas que partilha com os amigos?
Se sim, transforme os ciúmes em dedicação e viva mais a sua relação, fale das suas necessidades ao seu namorado e peça-lhe que ele faça o mesmo.
Os ciúmes não só criam sentimentos de frustração, raiva e insegurança na relação, como potenciam a baixa auto-estima.
Não permita que o ciúme promova sentimentos negativos sobre si própria. Mude aquilo que quer mudar em si, mas faça-o por si e não por ele!
Cuide mais de si!
Substitua o “vivo por ti!” por “vivo por mim!”!!!

Débora Água-Doce


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