As
relações têm sido o tema principal abordado nas sessões de Psicoterapia de quem
me procura. A elas estão sempre associadas inúmeras emoções mas também crenças,
sobretudo, a crença no “Príncipe Encantado”.
Como
tal, hoje trago-vos um artigo baseado no autor Jean-Claude Kaufmann que remete
para a trajectória que a mulher teve de fazer e, nalguns casos, ainda faz, para
sair do seu papel tradicional em que o marido se torna “a sua vida”, na medida
em que é dele que ela depende, para crescer na sua autonomia pessoal e
profissional.
Os
casamentos, ou melhor dizendo, como referem os etnólogos, as alianças, assumem
desde tempos remotos uma importância extrema na formação das sociedades humanas
na medida em que, para além das suas funções sociais, ele evita as guerras
entre as diferentes comunidades.
Devido
a questões de ordem pública e interesse colectivo, algumas sociedades
utilizavam o casamento simplesmente como forma de ligar famílias ou grupos
sociais diferentes. A questão da união é então considerada fulcral, na medida
em que torna os dois indivíduos envolvidos no casamento, num só. E nesta união
está implícita uma comunicação entre os indivíduos, mas também uma abertura à
autonomia individual de cada um.
Príncipe
encantado ou marido?
“A
construção do casal tornou-se difícil, mas não é proibido ter esperança (é
justamente, aliás, porque as esperanças são mais fortes que o casal se tornou
de construção difícil) é preciso ter esperança e é preciso sonhar para dar
forma ás expectativas: quem é aquele que se deseja encontrar? É aqui que
intervém a figura imaginária do príncipe encantado, filtro através do qual se
desempenham os cenários do futuro” (Jean-Claude Kaufmann)
Ao
passo que antes a concepção de príncipe encantado passava pelo “filho do rei
que aparecia no cavalo branco, hoje em dia é diferente, os requisitos de um
príncipe encantado passam também pela afectividade, o ser e demonstrar carinho
leva a uma nova concepção de príncipe encantado, onde o sonho e o imaginário
tem mais probabilidade de passar apenas do sonho tornando-se uma “realidade
real” e não uma “realidade imaginária”, onde “quanto mais forte é o impulso
(até à loucura), mais o príncipe é verdadeiro”.
Os
requisitos de príncipe encantado passam assim por alguém com que se possa
“vibrar, partilhar coisas profundas” ou então a outra hipótese será o celibato
por não existir príncipe encantado com estas características.
A
fuga ao quotidiano faz com que estas representações façam do príncipe algo
muito físico onde ele é aquele que sabe compreender e leva a um reconforto
imediato.
“Para
a mulher madura (mais fascinada pela sua capacidade de compreensão e não tanto
pela sua beleza), ele tem um aspecto mais humano, tornando-se extraordinário
quando persistem em continuar a ser o verdadeiro príncipe. Para a mulher
divorciada, ele torna-se mais prosaicamente “o homem ideal” ou “homem da minha
vida”, descrito segundo uma lista de critérios bastante precisos.
Assim,
a eventual formação de um casal não é simples nem fácil. O príncipe passa para
segundo plano, depois das questões “administrativas”, uma vez que “em jogo”
estão também ligações afectivas e todo um rol de sentimentos.
De
facto, a vida a sós é um dos aspectos da vida social em evolução, assim como a
família. Esta última, e como refere o autor, encontrando-se no entanto, numa
encruzilhada em que a necessidade de autenticidade e encontro com o eu se
confronta com a partilha e a vida com o outro. O interior da vida familiar
torna-se então uma “luta” entre a possibilidade de realizar desejos pessoais e
de aspirar à autonomia mas ao mesmo tempo, de obrigar o indivíduo a
confrontar-se com o desconhecido e a estar intimamente ligado a alguém.
Assim,
pode dizer-se que a essência, quer da vida a sós, quer da família é o
conhecimento do eu, a autonomia do sujeito, bem como a criação de laços
afectivos. Quer num caso, quer noutro, o que está em causa é a afirmação,
embora por vezes moderada, da autonomia.
Débora Água-Doce
Débora Água-Doce

Olà!
ResponderEliminarSou seguidora do blog, leio todos os post mas é a primeira vez que vou comentar.
Estou eu propria a tirar o curso de psicologia. Neste momento no algarve, mas em Setembro irei mudar-me para Lisboa.
No entanto, é sempre difícil, para mim, entender-me a mim propria. Ou melhor, consigo entender o que se "passa comigo" mas inevitavelmente não consigo "mudar" isso.
Digo isto no seguimento do meu ultimo post onde explico que sou uma mulher apaixonada e assim um pouco ( ok, muito) romantica e que, as vezes, sofro muito pelo meu namorado não o ser.
Eu amo-o como ele é. E sei e estou consciente que ele não é assim, não é romantico e não lhe peço para mudar quem ele é. No entanto, e isso sim não consigo mudar, gostava, gostava mesmo que por vezes ele se esforçasse para ser um pouco mais querido nos momentos em que preciso mais. Mas o homem não o faz!
Estou consciente que nessas situações vou repetir-lhe mil vezes de seguida que preciso disso, que preciso de amor, que preciso de carinho etc.. e sobretudo, estou consciente que não o devia fazer porque apenas piora a situação: vou chatear-me mais e ele, obviamente, não o vai fazer. Mas é inevitável, não consigo controlar-me e tenho de dizer o que sinto..
O mais ironico é que sou a primeira a dizer a todas as minhas amigas/colegas para se preocuparem com o proprio bem estar, não "empurrar" mais a situação etc.. mas comigo: nada a fazer!!
Bem, o meu comentario até não tinha assim muito a ver com o conteúdo do post, mas achei um pouco relacionado com o meu!
Continuarei a ler os post que acho muito bons e uma pequena inspiração =)
Beijinho de uma futura colega!
Olá Anita,
EliminarQue bom saber que consigo inspirar-te de alguma forma :) É isso mesmo que anseio com este Blog: Inspirar, ajudar a sonhar!
O que me contas sobre o romantismo é algo muito presente em vários casais. Ainda ontem falava sobre esse tema com uma paciente... Não existe nenhuma formula que quantifique a dimensão do Amor :) Amamos!
Cada um tem a sua forma de amar e estar na relação.
Quando um membro do casal é mais romântico e dedicado, e quando o outro é o oposto, o 1º tende a sentir que o seu sentimento não é correspondido "ele não gosta tanto de mim como eu"..."ele não me faz surpresas"..."não dá valor aos pormenores"..."sinto que dou mais à relação do que ele"...etc etc
Quando dizes que o amas como ele é, estás a aceitar que ele é diferente do "namorado idealizado" e é isso o mais importante na relação. Não há namorados perfeitos, nem namoradas perfeitas (só nos contos de fadas)!
Contudo, deves estar atenta às tuas necessidades! Será ele a pessoa que precisas ao teu lado? Ele completa-te?
:)
Estarei sempre aqui Anita!
Um beijinho futura colega ;)
Obrigada pela resposta =)
EliminarSim, é exactamente isso que penso. Afinal, se estou com ele é porque quero estar e porque aceito-o tal como ele é. Senão, não valia a pena e estaríamos os dois a perder tempo.
Sim, depois que mais de dois anos, estou com ele, mesmo se por vezes sofro um pouco pela sua falta de demonstrações, porque o amo e porque realmente vejo um futuro com ele. O sentimento é mutuo portanto nesse aspecto estou bem =)
Beijinho!
:)
EliminarBeijinho