14/04/13

Como se fosse magia… EMDR...





“Não consigo conduzir! Não suporto a ideia de ter de pegar no carro… É assustador ver os carros a virem na minha direcção. É como se viessem contra mim!!!
Ser passageiro também é para mim difícil… Aliás, é extremamente difícil… Dou por mim a evitar determinadas actividades apenas para evitar deslocar-me em meios de transporte.
Não percebo o que se passa comigo… Nunca fui assim! Sempre gostei de conduzir até ter aquele AVC…”

Este é o pedido que a Maria (nome fictício) faz na consulta de psicologia: perder o medo da condução e voltar a conduzir.
Maria tinha um percurso de vida perfeitamente normal, até ao dia em que sofreu um AVC. A partir desse dia, algumas coisas mudaram na sua vida e a limitação que mais a perturbou foi o não conseguir conduzir.
Tínhamos como missão “devolver a liberdade” à Maria, dessensibilizando o seu medo à condução.
Iniciámos então a nossa “viagem” no consultório, onde criámos a relação que mais tarde nos permitiu utilizar como técnica terapêutica o EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing - Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento Ocular) que se configura como uma terapia breve e focal, muito adequada ao pedido que a Maria nos fez.

Mas o que é isto do EMDR?
O EMDR, é um método de dessensibilização e reprocessamento de experiências emocionalmente traumáticas por meio de estimulação bilateral do cérebro, a qual promove a comunicação entre os dois hemisférios cerebrais.
O processamento natural da informação é reposto e assim após uma sessão com EMDR, a percepção psicosensorial já não se manifesta como antes quando o acontecimento traumático é trazido à mente. As memórias ainda são recordadas mas o efeito perturbador desaparece. O EMDR recria o que acontece naturalmente durante o sonho ou o sono na fase REM (Rapid Eye Movement) e pode ser encarado como uma terapia de base fisiológica, que ajuda a pessoa a encarar e viver os traumas de uma forma nova e sem os efeitos perturbadores.

Ficou com curiosidade em saber como correu a nossa “viagem”?
Posso revelar: A Maria já conduz e é autónoma :)

Débora Água-Doce
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