Quando escrevi o texto “Gostar de Si”, foi com o objectivo de fornecer
algum conhecimento sobre a doença oncológica da mama e as vivências da mulher
com diagnostico desta doença, referentes à imagem corporal.
Hoje trago-vos o “Amar sem Vergonha”, que não é mais do que a relação entre
a Imagem Corporal em Mulheres com Cancro da mama e a sua Sexualidade.
Vários estudos sobre o tema, concluem que não existem diferenças
significativas entre as variáveis imagem corporal e vivências sexuais, logo,
não se pode concluir que exista, de facto, uma mudança nas vivências sexuais
devido à alteração da imagem corporal provocada pela mastectomia ou cirurgia
conservadora.
O que nos levam ao encontro da teoria defendida por Ducharme et al. (1988),
em que a sexualidade de um sujeito não é determinada por características e/ou
capacidades físicas, o que faz com que não se deva julgar o deficiente físico
como impossibilitado da pratica sexual.
Barni e Mondin (1997) sublinham, a pertinência da manutenção da vida sexual
das mulheres mastectomizadas no combate à imagem de doença e debilidade. Os
referidos autores, constataram no seu estudo que é indispensável que as
mulheres submetidas a amputação da mama, e que têm parceiro sexual, discutam
com este os seus problemas desta índole. Do mesmo modo, partilhamos do ponto de
vista de Payne et al. (1996), Barni e Mondin (1997), Baptista (1999) e Oliveira
(2000), que consideram ser extremamente importante o facto de que as mulheres
com cancro da mama, assim como outros doentes do foro oncológico, mantenham a
actividade sexual sempre que possível, pois esta contribui para a conservação
da saúde residual da doente, melhorando a adaptação à doença.
Posto isto, a explicação para uma não mudança no relacionamento conjugal devido
à alteração da imagem corporal provocada pela mastectomia ou cirurgia
conservadora, certamente estará relacionada com a qualidade do relacionamento
sexual existente entre o casal antes da doença. Estes resultados corroboram a
teoria de Pádua (2006), que defende que a qualidade do relacionamento sexual
existente entre o casal será responsável não só pelo alcance e a manutenção da
estabilidade emocional da mulher, mas também pelo retorno do interesse sexual
numa fase mais calma da doença. Assim, após a cirurgia e com a estabilidade da
doença, o casal volta a interessar-se pela vida sexual e começa a preocupar-se
com o relacionamento sexual de ambos. Procuram maior intimidade, trocas de
carícias, prazer e novas formas de adaptação às condições actuais da mulher a
fim de tornar o relacionamento sexual mais agradável, confortável e prazeroso.
Sabemos que tem aumentado o número de investigações na área da oncologia,
todavia a prioridade tem sido dada a estudos genéticos e biológicos sobre o
aparecimento, controlo e tratamento da doença. Contudo, o orgânico não se deve
separar do psíquico. A par do sofrimento físico surge o sofrimento psicológico.
Sobretudo em mulheres que realizam uma mastectomia, a intervenção
psicológica parece tornar-se indispensável. Ajudar a mulher a lidar com as
alterações corporais, a desenvolver estratégias de coping que lhe permitam
encarar as mudanças na sua aparência, informando-a que a sua feminilidade
continua a existir são algumas das formas como um psicólogo pode intervir.
O tratamento físico é fundamental, porém o psíquico igualmente o é. A saúde
é uma relação de equilíbrio entre o corpo e a mente, com um certo nível de
comunicação e conhecimento entre o externo e o interno. Saber o que se passa
com o físico e com os motivos psíquicos relacionados a esse físico doente e a
forma de conduzirmos a cura (Conte, 2003).
Com relação também, às Vivências Sexuais, o acompanhamento psicológico da
doente e do seu companheiro torna-se fundamental ao bem-estar e à qualidade de
vida de mulheres com cancro de mama. O parceiro da doente é, em grande parte
dos casos, a pessoa com maior contacto directo com a doente. Ouvir, compreender
e ajudar o casal a enfrentar esta nova e indesejável situação ajudará ambos os
cônjuges a se reajustarem a uma série de novos papéis e funções e proporcionará
uma melhor comunicação entre ambos.
A adaptação na vivência do cancro da mama é vista como um processo de
ajustamento que envolve uma interacção entre as características do cancro e o
seu tratamento, bem como avaliações cognitivas, experiências vivenciadas,
esforços de coping (Osowiecki & Compas, 1999) e o respectivo suporte
social.
Débora Água-Doce

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