20/08/18

Vulnerabilidade

No seguimento do ultimo texto que vos partilhei, sobre a doença que me afecta, recebi inúmeras mensagens de agradecimento pela partilha, mas também de louvor pela coragem da mesma.
Essas mensagens criaram a necessidade de hoje vos trazer o tema: Vulnerabilidade.



Durante a formação em Psicologia, é-nos ensinado desde muito cedo que uma certa distancia e inacessibilidade contribuem para o prestigio e que, se formos demasiados empáticos a nossa credibilidade é colocada em causa.
Foram anos a ouvir isto, mas o certo é que quando fiquei frente a frente com o primeiro paciente, essa premissa desapareceu e só a empatia e a vontade de dar e ajudar surgiram em mim.
Mais tarde [em 2013], com a criação do Blog, surgiu novamente essa premissa da necessidade de manter um certo distanciamento... Tinha de me proteger, diziam-me!
Como poderia arriscar ser vulnerável, contando histórias sobre o meu caminho até aqui, sem parecer frágil para vos ajudar? Como ter uma “capa” profissional?
Inicialmente foquei-me muito em histórias de casos clínicos, mas rapidamente comecei a soltar palavras sobre mim, sobre todos nós, sobre a vida. Não temi as consequências.
Esta sou eu, esta é a minha forma de vos chegar, com partilhas reais [minhas ou de outros], com pontos em comum na vida de cada um.
Somos todos iguais no Ser e no Sentir e não é por ter esta Missão que sinto de forma diferente. Sou tão pessoa como vós. Apenas tenho ferramentas para vos iluminar o caminho e ajudar-vos a seguir o caminho do Amor.
Estamos aqui para criar vínculos uns com os outros. É este vinculo que dá propósito e significado às nossas vidas.

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17/08/18

A endometriose e eu...

Em Junho, escrevia-vos sobre os 5 anos deste Blog e sobre como a Psicossomática também a mim tinha chegado e obrigado a parar [podem ler ou reler aqui: http://www.apsicologaquetambemeblogger.pt/2018/06/palavras-que-escasseiam.html#more ]. Prometi que vos escreveria sobre a doença que me obrigou a parar, que me obrigou a mudar a forma de viver e olhar para mim.
Aqui estou...



A minha doença chama-se Endometriose, [A endometriose é uma doença tão dolorosa como desconhecida. Afeta cerca de 176 milhões de mulheres em todo o mundo e é uma das principais causas de infertilidade. Consiste no aparecimento e crescimento do tecido endometrial fora do útero. Caracteriza-se por provocar fortes dores pélvicas durante a menstruação ou dor pélvica crónica, que pode chegar a ser incapacitante. Ainda hoje não se sabe a origem da mesma, não houve nenhum avanço no tratamento sintomático da endometriose nos últimos anos e continua sem existir cura.] mas não a mais simples, se é para ter que seja Endometriose Profunda Grave [nas formas graves da doença, as massas de endometriose podem atingir outros órgãos pélvicos, nomeadamente o reto, vagina, cólon sigmoide, ureteres, bexiga e nervos superficiais e profundos. Algumas formas de endometriose profunda podem, ainda, envolver outros órgãos, por exemplo o diafragma e pulmão]. Foi este o meu diagnostico depois de vários anos de sintomas... Lamentavelmente, esta doença é de difícil diagnostico e poucos médicos estão despertos para a mesma. Muitas vezes é desvalorizada e confundida com outras.
Há uns anos comecei a ter infecções urinárias recorrentes [assim pensava eu] e coincidiam quase sempre com a semana da menstruação [que gradualmente deixou de surgir] ou com momentos de maior stress na minha vida. Tomei antibióticos sem conta e regularmente lá voltavam os malditos sintomas...

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07/08/18

O Mindfulness na busca do Amor



“A prática do Mindfulness constitui um comprometimento total com cada momento presente. Convidando-nos a relacionarmo-nos com esse momento em plena consciência, com uma intenção de incorporarmos o melhor possível uma orientação de serenidade, atenção plena e compaixão, no aqui e agora de cada momento.”
Jon Kabat-Zinn



Parar um momento no nosso dia para estar em contacto com quem somos genuinamente é o ato de Amor mais puro que podemos exercer para connosco.

Hoje em dia, ouve-se muito falar sobre Mindfulness , sobre a importância do aqui e agora. Parece que virou a moda do século. Contudo, esta prática é milenar e teve a sua origem no Budismo. Mais tarde, o Mindfulness foi introduzido na sociedade Ocidental por Jon Kabat-Zinn que ligou Mindfulness à Ciência.. Jon Kabat-Zinn desenvolveu a teoria de que a meditação poderia ser usada sem qualquer componente religiosa e criou o programa MBSR — Mindfulness Based Stress Reduction (redução de stress baseada em atenção plena) que veio revolucionar a forma como o mindfulness  é visto e de onde derivam as demais teorias.

A meditação permite-nos ter mais consciência dos nossos comportamentos e não obstante de quem somos.
Foi há uns anos [mais de 14 anos] que introduzi esta prática na minha vida, mesmo sem saber que o estava a fazer. Recordo-me que coincidiu com a minha entrada na faculdade, onde, conciliava os estudos e o trabalho. As aulas eram ao final do dia e quando chegava a casa, dava por mim a sentar-me na cama e a ficar pelo menos uma hora a pensar... A pensar no meu dia, no que tinha acontecido, no que tinha sentido... Não percebia o porquê dessa necessidade diária, mas a verdade é que passou a fazer parte da minha rotina. Muitas vezes pensava que estava a perder tempo, contudo, não conseguia evitar esse momento.
Mais tarde percebi que se tratava de uma forma de meditação e de como tinha sido importante permitir-me a estes momentos no meio de uma vida tão acelerada e exigente.

Falo-vos do Mindfulness na busca do Amor, pois esta ferramenta, permitir-vos-á chegar ao mais intimo de quem são. Somente quando prestamos atenção ao que existe dentro de nós, ao que sentimos, ao que pensamos, conseguimos alcançar um maior conhecimento sobre a nossa identidade e esse conhecimento permitir-nos-á aceitar quem somos, abrindo lugar para o Amor. 
O Amor próprio.

Deixo-vos um pequeno exercício para praticarem diariamente, durante um semana.


Estás a meditar! Parabéns.


Com Amor,
Débora



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26/07/18

Faz o teu caminho, não o meu!




Existem momentos em que dás por ti a desejar ter a vida de alguém, ser como alguém.
Isto acontece-te talvez por não te sentires feliz com a vida que tens, contudo, não sigas os passos de ninguém. Faz o teu caminho!
O que me satisfaz, poderá ser pouco para ti!
O que me realiza talvez não te realize a ti!

Se não te sentes feliz, se reclamas da vida que tens um dia e outro, talvez seja importante olhares bem para dentro de ti e escolher outro caminho. Pergunta-te o que te poderá realizar e o que poderás fazer para o concretizar!

Lê no teu coração o que queres mesmo para ti, não o que os outros querem ou o que tu achas que os outros iriam admirar em ti!
Escolhe pelo que és!

Orgulha-te do que és e luta, pela concretização dos sonhos da pessoa mais importante da tua vida: tu!
Nada se alcança sem esforço! Nada se alcança sem metas!
Não fiques sentado no sofá à espera que a felicidade te bata à porta!
Nada se resolve sem que tu queiras, sem que tu faças acontecer.
Quando deres por ti a desejar a vida de alguém e a reclamar da tua, escuta o teu coração e escolhe outro caminho.

Se queres ser feliz, promove a mudança! A tua!
Faz o teu caminho!



Com Amor,
Débora Água-Doce 
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22/07/18

Cuidar



“Se cuidas de mim
Eu cuido de ti também
Dentro da minha mão
Eu guardo-te bem”


Cuidar. Tão simples palavra que significa tanto...
É no ato de cuidar que se desenvolve o afecto, o afecto que permite construir algo.
Se não cuidar, será que ama?
Poderá alguém amar e não cuidar?
Se eu não cuidar de mim agora, cuido quando?
E se eu só cuidar de mim, para que serve a vida?

Uma relação depende de afecto, diálogo, partilha, intimidade, confiança e... Depende do verbo cuidar!

Que seja diária a conjugação do verbo “cuidar”!


Com Amor,
Débora Água-Doce 
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16/07/18

O mito do Amor eterno


Acredito no Amor, acredito em finais felizes e encontros de luz. Acredito que um encontro entre duas pessoas pode durar toda uma vida.
Esta tem sido a minha premissa desde que vos escrevo e, sim, continuo a acreditar nisto. Continuo a acreditar nesta possibilidade de Amor. Contudo, hoje quero falar-vos de quando isto não acontece.

O Amor acaba!
Não sempre, mas pode acabar.

A vida é feita de encontros, mas também de desencontros. Se pensares bem, certamente constatarás que não manténs na tua vida todas as pessoas que foram sendo significativas ao longo do teu desenvolvimento. Ainda tens como amigos os teus amiguinhos de escola primária? Poderás ter alguns, outros ter-se-ão afastado naturalmente.
Recordo-me de fazer pactos de amizade com miudinhas e de jurarmos sermos amigas para sempre. A possibilidade de não nos termos era assustadora e hoje, olhamos para trás e percebemos que não somos mais que uma recordação de infância. Não há mal nenhum nisto, faz parte do desencontro do desenvolvimento pessoal de cada um de nós.
Vamos crescendo, apreciando coisas diferentes, fazendo escolhas que nos levam a outros caminhos. A outras pessoas!



Nas relações amorosas, acontece o mesmo.
Quando nos enamoramos de alguém e nos entregamos a esse relacionamento, desejamos com todas as nossas forças, que seja para sempre. Queremos que aquele sentimento e emoção permaneça para sempre. E é tão bom que assim seja! Só com esta entrega e empenho será possível construir a identidade do nós [identidade do casal e objectivos em comum].
Quando uma paixão evolui para Amor, pode acontecer o encontro das personalidades permitindo a continuação do caminho em conjunto, ou pode acontecer o desencontro das personalidades e os caminhos esperam-se diferentes.
Tal como na infância em que cresces e os teus amiguinhos vão estando ou não na tua vida, na vida adulta, também atravessas um processo de construção e mudança da tua identidade [a nossa identidade constrói-se desde o inicio da nossa vida até ao final] e inevitavelmente existem pessoas que deixam de fazer o caminho contigo, dando lugar a outras.

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10/07/18

Onde estás, sabes?




"Era uma vez um homem muito pouco inteligente que perdia tudo.
Um dia alguém lhe sugeriu:
- Para não perderes as coisas, tens de tomar nota de onde as deixas.
Nessa noite, à hora de deitar-se, agarrou num papelinho e pensou:
“Para não perder as coisas...”
Despiu a camisa, pendurou-a num cabide, agarrou num lápis e anotou: “a camisa pendurada no cabide”; tirou as calças, colocou-as aos pés da cama e anotou: “as calças aos pés da cama”; descalçou os sapatos e anotou: “os sapatos debaixo da cama”; tirou as meias e anotou: “as meias dentro dos sapatos debaixo da cama”.
Na manhã seguinte, quando se levantou, procurou as meias no local onde tinha anotado que as deixara, e calçou-as; e assim fez com a camisa, as calças e os sapatos. No fim, perguntou-se:
- E eu, onde estou?
Procurou na lista uma e outra vez, mas como não havia tomado nota de onde se deixara, nunca mais se encontrou a si mesmo."



Parece difícil esquecermo-nos de “onde nos deixamos”. Ao lermos este texto achamos ridículo que isto possa acontecer na realidade. E sim, no sentido efetivo da palavra, isto não acontece. Mas acontece, até com mais frequência do que deveria acontecer, esquecermo-nos de quem somos.

A sociedade exige cada vez mais de nós e leva-nos a desempenhar papéis sob o constructo da afirmação e valorização social. Somos o que esperam de nós... Tentamos corresponder à expectativa do gestor, do patrão, dos pares, dos pais que ambicionaram algo para nós... Queremos provar que somos “bons” e insubstituíveis e, inevitavelmente imiscuímo-nos do nosso Ser.

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